Palácio Garibaldi - Curitiba

O suntuoso edifício foi projetado para ser a sede da Societá Italiana di Mutuo Socorso Giuseppe Garibaldi, fundada em 1º de julho de 1883, por imigrantes italianos. A sua construção ocorreu durante os anos de 1904 a 1908. De importância histórica e arquitetônica, a edificação teve o reconhecimento pelo Estado do Paraná com o seu tombamento em 29 de janeiro de 1988.

Fonte: Coordenação do Patrimônio Cultural-SECC/PR

Saiba Mais: https://cultura.mapas.pr.gov.br/#/patrimonios

 
Mais informações

Inscrição: 88-II

Processo: 03/87

Data da Inscrição: 29 de janeiro de 1988

Localização:
Município de CURITIBA
Praça Garibaldi

Proprietário: Particular - Sociedade Italiana Beneficente “Giuseppe Garibaldi”

HISTÓRICO

Quando os italianos chegaram ao Paraná, já encontraram outros imigrantes habitando as diversas colônias que se fixaram nos mais diversos pontos da Província.

Para esses imigrantes, a província se apresentava como um lugar de muitos atrativos e oportunidades, pois para desenvolver um eficiente sistema de colonização, o governo provincial investe muito na atração dos imigrantes como ilustra o pronunciamento do então presidente da província Lamenha Lins exaltando as qualidades da província “por sua posição geográfica, felizes condições topográficas, amenidade do clima e fertilidade do solo, o Paraná é a província do Império mais apropriada para receber em seu seio imigrantes de todos os países, colonos laboriosos que procuravam novo lar e uma pátria onde encontrem seu estar e elementos para firmar seu futuro e de seus filhos”.

Somando as vantagens proporcionadas pelo governo brasileiro e provincial, com o crescimento demográfico e a incapacidade de absorção da população excedente no mercado de trabalho urbano e no meio rural em seu país de origem, muitos italianos assim como outros povos imigraram para o Brasil e para outros países.

Os imigrantes que aqui chegaram, entre 1870/1875, se instalaram no litoral paranaense mas não se adaptaram ao clima e nem à terra, a qual não proporcionava uma boa agricultura. Por esses motivos os colonos se deslocaram até o primeiro planalto, se fixando em colônias próximas à Capital.

Após a fixação em território próximo a Curitiba, interesses do governo provincial e da própria comunidade italiana fizeram com que surgisse a ideia de um movimento associativo que resulta na criação, em 1° de julho de 1883, da Sociedade Italiana Dimutuo Scorso Giuseppe Garibaldi, cuja função primeira foi de servir como escola para os filhos de imigrantes italianos.

Fundada em 1883, só em 1887 começou-se a construção de uma sede. Como não possuíam local para tal construção o governo provincial doa um terreno localizado no Alto do São Francisco. Em 24 de julho de 1887 faz-se o lançamento da pedra fundamental e em 1904 o edifício é concluído.

Com a Segunda Guerra Mundial, em 1942, a sociedade foi desapropriada pelo governo, em razão do Brasil ter declarado guerra à Itália, devolvendo-a para a comunidade após vinte anos, em 1962. Durante essas duas décadas a sede foi ocupada pelas seguintes instituições: Liga da Defesa Nacional, Centro de Letras do Paraná, Centro de Cultura Feminina, Academia de Letras e Tribunal de Justiça do Estado. Nesse período todas as reuniões administrativas foram realizadas na sede do Clube Duque de Caxias.

Depois de retomado o edifício, em 1962, enquanto patrimônio da sociedade, ela muda de nome e, a partir de então, passa a se chamar “Sociedade Beneficente Garibaldi”.

O terreno onde se encontra o edifício está implantado em local elevado, ladeado pela Av. Jayme Reis e Rua Dr. Kellers, o prédio está voltado para a Praça Garibaldi, tendo aos fundos a Praça João Cândido.

Edifício de estilo eclético em dois pavimentos, tem forma de poliedro retângulo, com três telhados independentes: o 1°, sobre a construção original (antes de duas águas) é de quatro águas cumeeiras; o 2°, sobre espaço de escada central, é também de quatro águas com cumeeiras; o 3°, sobre espaço de serviço (cozinha, bar) é de três águas ajuntando ao anexo da escada central. É marcante a simetria do volume do corpo original da edificação, evidenciada em sua modenatura.

A fachada principal é composta de arcadas com três vãos em arco pleno, à qual se tem acesso através de pequena escadaria, o que determina o alteamento de todo o corpo original do edifício. Ainda no primeiro pavimento há, do átrio para o interior, três vãos de portas com vergas retangulares embora marcados arcos plenos (provavelmente constantes do projeto original). O átrio possui piso em ladrilhos hidráulico decorado, e forro do tipo saia-e-camisa. As janelas desta fachada são retangulares e em número quatro.

No segundo pavimento, sobre a arcada, há três portas com verga em arco pleno que se abrem para a sacada. Também se observa quatro janelas retangulares em madeira com venezianas, todas com ornamentação: requadros, molduras sob peitoril, sobrevergas. Sobre os vãos em arco pleno nota-se acima a existência de frontão triangular.

Segundo depoimento oral, João de Mio foi o autor do projeto de reforma na fachada frontal que resultou do átrio em arco pleno. Provavelmente foi responsável também pela criação de um primeiro acréscimo posterior, o qual objetivava o deslocamento da escada interior do bloco original para um novo volume. 

As janelas laterais possuem, cada qual uma delas, dez janelas similares às da fachada principal (isto na parte original). As janelas do anexo mais recente são em número de cinco, tipo vitrô com esquadrias de ferro.

Com relação à fachada posterior, o bloco original encontra-se encoberto por um acréscimo posterior, o qual contém onze vãos (nove janelas tipo vitrô e duas portas de madeira).
Quanto ao espaço interno, nota-se o propósito de simetria em sua organização, embora com pequenas adequações internas posteriores, pouco convincentes.
No primeiro pavimento há um espaço central dividido em três partes por vãos em arcos, o qual está ligado ao hall por outros dois vãos, estes com arcos em alvenaria e sustentados por colunas com leves ornamentos em gesso. O piso deste pavimento é de tabuado corrido, e seu forro de madeira é em grande parte apainelado. As portas de madeira originais apresentam sóbrio desenho, sendo que as mais recentes são lisas. Há por sobre as paredes deste pavimento revestimento em lambril escuro. 

Do primeiro para o segundo pavimento é conduzido por escada em madeira (hoje com piso e espelho revestido em paviflex) com pilaretes decorado e guarda-corpo plano liso. No segundo pavimento o corpo original corresponde a um grande salão de festas. O piso de tábua corrido estreito, sendo que as paredes possuem revestimento em lambril escuro e o forro é apainelado em madeira.

 

GALERIA DE IMAGENS

  • Palácio Garibaldi - Curitiba
    Palácio Garibaldi - Curitiba - Livro Tombo II - Inscrição 88 - Página 73
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