Igreja do Bom Jesus do Saivá - Antonina

Inscrição: Tombo 25-II

Processo: 25/70

Data da Inscrição: 15 de setembro de 1970

Localização
Município: ANTONINA
Praça Carlos Cavalcanti

Proprietário: Particular - Mitra Diocesana de Paranaguá

HISTÓRICO

Em 1970, quando foi tombada, fez-se o seguinte registro no Livro Tombo II: Igreja com nave, capela-mor e torre. Construída em alvenaria de pedra.
Nas observações do Livro Tombo consta: encontra-se em mau estado de conservação apresentando grandes rachaduras nas paredes laterais e posterior. A torre é evidentemente posterior. Há sinais claros de ter havido um campanário que provavelmente ruiu.
É o único exemplar antigo de arquitetura religiosa de Antonina que não sofreu modificações irreparáveis.
Durante século XVIII, várias irmandades religiosas surgiram no Paraná. Os que estavam ligados a elas não eram páreas na sociedade pois, mesmo as irmandades dos pretos escravos e alforriados conferiam a seus componentes uma dignidade social e deixava claro o lugar social de cada membro numa sociedade nobiliárquica e religiosa. Esta afirmação social dos membros, o culto religioso ao santo padroeiro e o auxílio mútuo eram as principais funções que as irmandades exerceram no Brasil. Neste período as corporações de ofícios com suas irmandades e capelas já entravam em decadência da Europa e, embora tenham existido aqui, eram descabidas na sociedade brasileira escravocrata.
Era comum uma agremiação de pessoas iniciar uma irmandade utilizando um altar lateral de uma igreja que era a sede de outra irmandade melhor estruturada. Neste altar faziam o culto ao santo padroeiro que popularmente tinha poderes para resolver esta ou aquela questão. Assim como na hierarquia celeste, também havia uma hierarquia nos assentos das igrejas e capelas segundo a dignidade social dos reais súditos, bem como cada camada social identificava-se mais com este ou aquele santo.
As igrejas das irmandades ligadas às hierarquias celestes superiores como o Divino Espírito Santo, Nossa Senhora e Bom Jesus eram normalmente as igrejas matrizes das cidades e sediavam da associação das elites locais.
Mesmo as procissões, eram como uma pantomima na qual a sociedade desfilava para si própria, indo à frente os mais honrados socialmente com seus santos e estandartes da irmandade, até os últimos que pertenciam às camadas mais baixas da sociedade e, se pudessem, tinham sua irmandade e um altar lateral emprestado na igreja da irmandade daqueles que socialmente eram mais afortunados.
Quando já havia uma igreja matriz consagrada a uma das hierarquias celestes superiores, que era sede da irmandade da nata das elites locais, se outros ricos locais quisessem constituir outra irmandade e construir uma igreja para sediá-la, certamente ela seria consagrada a outra das hierarquias celestiais superiores.

A Igreja do Bom Jesus do Saivá

Em Antonina, como já havia a igreja matriz e irmandade principal que era a de Nossa Senhora do Porto, a outra igreja das elites teria que ser consagrada ou ao Bom Jesus ou ao Divino Espírito Santo; jamais a São Benedito, Santo Antônio, São Francisco ou a outros santos de devoção popular.
O Capitão-mór Manoel José Alves, nascido em 1762 na freguesia de São Salvador da Fonte Boa em Portugal, era carpinteiro da ribeira e armador que enriqueceu com um estaleiro naval que estabeleceu em Paranaguá. Nele construía embarcações de dois mastros denominadas sumacas de média tonelagem utilizadas como navios negreiros.
Como era rico, também estava ligado à política e à milícia onde galgou os postos desde Sargento-mor até Capitão-mor e ocupou elevados cargos no governo de Paranaguá e de Antonina.
Quando a esposa, Dona Serafina Rodrigues Ferreira alcançou a graça de ser curada de uma enfermidade, ele mandou construir a Igreja como agradecimento ao Senhor Bom Jesus.
A Igreja do Bom Jesus do Saivá é um caso historicamente atípico, pois na maioria das vezes era constituída uma irmandade que se reunia no altar lateral de outra igreja até que conseguirem dinheiro para construírem a igreja sede da irmandade. O Capitão-mór Manoel José Alves, patrocinador da construção, havia falecido em 1837, deixando donativos para as obras da igreja, assim como fizera em testamento o Juiz de Órfãos Capitão Pereira do Amaral em 1831 e posteriormente Benigno Pinheiro Lima.
Apesar dessas doações as obras ficaram inacabadas e a irmandade foi constituída em 1866 com o intuito de concluí-las.
A igreja funcionou regularmente entre 1866 a 1900 comemorando no mês de agosto a festa do Senhor Bom Jesus do Saivá. Após 1900 a irmandade entrou em decadência e não havia fundos suficientes para a manutenção do templo até que foi fechado para o uso público na década de 1910, quando ocorreu o desmoronamento parcial da fachada.
Em 1970, o prefeito municipal e a SEEC/CPC deram início ao processo de tombamento e  iniciaram as obras de restauro em 1972, concluídas em 1976, quando a igreja foi reinaugurada no dia 28 de julho com uma grande festa.

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