80-II: Fazenda Capão Alto - Castro

  • Inscrição: 80-II no Livro do Tombo Histórico
  • Processo: 82/81
  • Data da Inscrição: 26 de novembro de 1983
  • Localização: Capão Alto; Município de Castro
  • Proprietário: Particular – Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda., em comodato para o Grupo Folclórico de Castrolanda

Normativa de uso da Fazenda Capão Alto

Cadernos do Patrimônio - Fazenda Capão Alto

A Fazenda Capão Alto, localizada no município de Castro, é um dos mais importantes marcos históricos da ocupação dos Campos Gerais. Sua trajetória está relacionada à concessão de sesmarias, à presença dos frades carmelitas, ao Caminho das Tropas, ao tropeirismo, à pecuária, à escravidão e à formação da sociedade campeira paranaense. Tombada pelo Estado do Paraná em 26 de novembro de 1983, a fazenda preserva um conjunto arquitetônico rural formado por edificações de diferentes períodos, além de ruínas, vestígios arqueológicos e referências paisagísticas que testemunham transformações econômicas, sociais e culturais ocorridas entre os séculos XVIII e XX.

 

Histórico

Localizada em terras de sesmarias concedidas na região no início do século XVIII, a Fazenda Capão Alto situa-se no contexto de ocupação dos Campos Gerais do Paraná. Esse processo esteve relacionado à descoberta de ouro nas regiões de Minas Gerais, que gerou a necessidade de abastecimento de alimentos, animais de carga e transporte para as áreas mineradoras. Data daquele período o início de uma atividade pastoril voltada ao fornecimento de gado para as zonas auríferas e para os circuitos comerciais ligados à feira de Sorocaba.

A autorização régia de 1702 para a concessão de sesmarias incentivou a ocupação da região. No entanto, diferentemente de outras áreas, como Lages, a ocupação dos Campos Gerais não assumiu, inicialmente, um sentido amplo de colonização estável, mas esteve vinculada à exploração econômica das pastagens naturais, dos campos e das rotas de circulação. A abertura do Caminho de Viamão a Sorocaba, a partir da década de 1720, motivou o surgimento de pousos, currais, fazendas de criação e invernadas ao longo do trajeto. Um desses pontos foi estabelecido à margem esquerda do rio Iapó, por volta das décadas de 1730 e 1740.

O local era conhecido como “paragem do Iapó”, situado nas proximidades de um vau do rio, isto é, um ponto onde homens e animais podiam realizar a travessia com maior facilidade. Essa condição geográfica favoreceu a consolidação da área como ponto estratégico de passagem, pouso e abastecimento para tropeiros que conduziam gado bovino, cavalos e muares dos campos do Sul em direção aos mercados consumidores. Nesse contexto, a Fazenda Capão Alto tornou-se parte de uma rede de circulação fundamental para a formação econômica e territorial do Paraná.

A sesmaria de Santa Cruz do Capão Alto foi requerida em 1704 por integrantes do clã de Pedro Taques de Almeida, importante família paulista ligada à administração colonial e à posse de extensas terras. A área correspondente à “paragem do Iapó” coube a Timóteo Corrêa de Góes, que posteriormente a vendeu a João Gonçalves Figueira. Apesar da localização privilegiada, os primeiros anos da propriedade foram marcados por dificuldades, e a fazenda foi levada a leilão em 1749, após a penhora dos bens da viúva de João Gonçalves Figueira.

O arrematador da propriedade foi o capitão-mor José de Góes e Morais, figura importante no processo de ocupação dos Campos Gerais. Embora paulista e não residente nas terras paranaenses, José de Góes e Morais contribuiu para a formação de fazendas produtivas na região e para a ocupação de áreas estratégicas dos caminhos de tropas. Em 1751, a Fazenda Capão Alto foi adquirida pelos carmelitas pela quantia de dois contos de réis. Com as terras, que abrangiam extensa área, vieram também cerca de duas mil cabeças de gado e mais de 140 cavalos.

Segundo o Livro de Registro de Terras da Paróquia de Sant’Ana de Castro, a compra da Fazenda Capão Alto ocorreu em 21 de outubro de 1751, por Frei João de Santa Izabel. Suas divisas eram formadas pelo rio Iapó, pelo ribeirão Tabor e pelo rio Maracanã. Na mesma data, foi dada posse ao procurador da Ordem Carmelita, Pedro Álvares da Paz, assistido pelos religiosos Frei Ângelo Preto do Espírito Santo e Frei José de Sant’Ana. Ignora-se a data exata em que a escritura foi lavrada, mas ela teria ocorrido antes de 1754, pois naquele ano já existia a Capela de Santo Antônio do Capão Alto, filial do convento de Nossa Senhora da Conceição do Tamanduá, que a ordem possuía nos Campos Gerais.

A Fazenda Capão Alto pertenceu aos frades carmelitas a partir de 1751 e, como outras propriedades rurais dos Campos Gerais, foi estruturada com trabalho escravizado. Os Cadernos do Patrimônio informam que os carmelitas eram proprietários e administradores de fazendas, criavam gado de corte e utilizavam pessoas escravizadas no trabalho cotidiano da propriedade. O documento também menciona que, em algumas fazendas dos Campos Gerais, havia escravizados exercendo funções de administração, como ocorreu em Capão Alto com o escravizado Inocêncio.

Depois da retirada dos carmelitas para São Paulo e Rio de Janeiro, por volta de 1770, a fazenda teria ficado sob responsabilidade das pessoas escravizadas que ali viviam e trabalhavam. A documentação da CPC e os Cadernos do Patrimônio descrevem que essa comunidade permaneceu por décadas em regime de relativa autonomia, organizando o trabalho, criando gado, cultivando a terra e comercializando em Castro apenas o necessário para sua manutenção.

A comunidade era devota de Nossa Senhora do Carmo, chamada de “Sinhara”, à qual atribuía autoridade espiritual e simbólica. Segundo os Cadernos do Patrimônio, a imagem era consultada para orientar as atividades do dia, e o comando real da fazenda era entregue semanalmente a uma pessoa escolhida pela própria comunidade, responsável por interpretar as orientações da “Sinhara”, vender produtos em Castro, suprir necessidades e manter a ordem interna.

A tradição documental e patrimonial costuma chamar essa experiência de “república negra” ou “quilombo” de Capão Alto. A normativa da Fazenda Capão Alto também repete essa interpretação, descrevendo que os negros, “entregues à própria sorte”, organizaram uma república sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo. Para o texto do site, eu usaria com cuidado: “comunidade negra descrita pela documentação como uma república ou quilombo sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo”, porque isso preserva a força histórica da narrativa sem transformar uma categoria documental em afirmação simplificada.

O conflito central ocorreu em 1864, quando os escravizados de Capão Alto foram vendidos à firma paulista Gavião, Ribeiro & Gavião. A documentação tradicional fala em cerca de 300 pessoas escravizadas, enquanto os Cadernos do Patrimônio mencionam “mais de 200”. Estudos acadêmicos mais recentes, especialmente de Joice Fernanda de Souza Oliveira, trabalham com a ideia de aproximadamente 236 cativos negociados. A resistência ocorreu porque essa comunidade não se reconhecia como propriedade comum dos carmelitas ou dos compradores. A frase mais forte registrada na tradição é a ideia de que, se eram escravizados, seriam “somente de Nossa Senhora do Carmo”. Segundo os Cadernos do Patrimônio, diante dos compradores paulistas, teriam respondido que só sairiam se a “Sinhara” mandasse. A resistência foi reprimida com força policial; lideranças foram levadas às cadeias de Castro e Curitiba, e o restante da comunidade seguiu para São Paulo.

A presença carmelita teve papel decisivo na história da fazenda. A Capela de Santo Antônio do Capão Alto, construída em área plana e favorável ao estabelecimento de moradores, tornou-se referência religiosa para a população local. Ali foram realizados batismos, casamentos e sepultamentos dos primeiros habitantes da região. Entre os casamentos celebrados constam, por exemplo, o de Antônio Lopes de Toledo com Ignácia de Freitas, em 1754, e o de João Pereira Avellar, viúvo de Anna Pinto, com Isabel Martins de Serqueira, em 1755.

Até 1771 existem registros relativos aos carmelitas em Capão Alto. Naquele período, insatisfeitos com a situação da antiga igreja, os religiosos decidiram construir outra capela em posição mais favorável, às margens do rio Iapó, sob a invocação de Sant’Ana. Como essa igreja foi elevada à categoria de freguesia em 1769, os assentamentos passaram a ser feitos no templo da nova povoação, posteriormente elevada à condição de vila e, mais tarde, cidade, com o nome de Castro. Embora a vila pudesse ter se desenvolvido em torno do Capão Alto, a construção da nova capela às margens do Iapó contribuiu para deslocar o povoado para fora dos limites da fazenda, dando origem à Vila Nova de Castro.

Posteriormente, a Capela de Santo Antônio foi substituída por outra, sob a devoção de Nossa Senhora do Carmo. Após a retirada dos carmelitas para São Paulo e Rio de Janeiro, a Fazenda Capão Alto permaneceu sob supervisão de administradores e, depois de breve arrendamento, ficou sob a responsabilidade das pessoas escravizadas que ali residiam e trabalhavam. Ao longo de décadas, essa comunidade desenvolveu formas próprias de organização, trabalho, religiosidade e administração cotidiana, sendo descrita na documentação e na historiografia regional como uma espécie de república ou quilombo sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo.

Disciplinada pelo trabalho e pela religiosidade herdada da presença carmelita, a comunidade negra de Capão Alto atribuía à imagem de Nossa Senhora do Carmo, chamada de “Sinhara”, uma autoridade espiritual e simbólica. Segundo a tradição registrada nos documentos, os trabalhadores consultavam a imagem para saber as ordens do dia. A administração concreta da fazenda era exercida periodicamente por um dos próprios integrantes da comunidade, eleito entre seus pares, responsável por interpretar as orientações atribuídas à “Sinhara”, vender produtos em Castro e manter a ordem interna.

Pesquisas recentes sobre os escravizados carmelitas de Capão Alto têm demonstrado que essa comunidade era socialmente complexa. Registros paroquiais indicam que, entre 1796 e 1863, foram celebrados 34 casamentos envolvendo pessoas da fazenda, e, entre 1799 e 1857, foram batizadas 171 crianças. Também havia relações de compadrio com escravizados de outras propriedades carmelitas, como as fazendas Cunhaporanga e Vassoural, além da presença de pessoas livres, libertas e agregadas. Essas informações ampliam a compreensão da Fazenda Capão Alto como espaço de trabalho, parentesco, devoção, sociabilidade e resistência.

Em 1864, os escravizados de Capão Alto foram vendidos à firma Gavião, Ribeiro & Gavião, de São Paulo. A negociação provocou resistência, pois a comunidade se considerava livre ou, caso escravizada, pertencente apenas a Nossa Senhora do Carmo. Estudos sobre o episódio indicam que a transação envolvia irregularidades documentais e falta de pagamento de impostos necessários para a transferência de escravizados entre províncias. Esse argumento foi utilizado pelos próprios cativos como forma de resistência à saída da fazenda.

A reação da comunidade resultou em conflito com os compradores paulistas e com as autoridades policiais. Embora a documentação tradicional mencione cerca de 300 pessoas, estudos acadêmicos mais recentes apontam que a firma Gavião negociou aproximadamente 236 escravizados. Após a repressão, parte da comunidade foi separada: 50 pessoas foram levadas para trabalhar na construção da ferrovia entre Jundiaí e Campinas, enquanto outras 186 foram vendidas ao comendador Francisco Teixeira Vilela, de Campinas. Esse episódio marcou o fim da comunidade de Capão Alto enquanto grupo organizado na fazenda e evidencia a violência do tráfico interno de escravizados no Brasil meridional.

Em 27 de junho de 1870, segundo escritura, a Fazenda Capão Alto foi vendida por Frei Damásio de São Vicente Ferreira a Bonifácio José Baptista, abastado fazendeiro, político e representante da sociedade campeira que ocupou os latifúndios dos Campos Gerais e encontrou no tropeirismo uma de suas principais formas de participação econômica e social. Adquirido por 30 contos de réis, o imóvel compreendia campos, campinas, matos, logradouros por sesmarias, casas, mangueiras e demais dependências.

Ao que consta, o novo proprietário mandou construir novas casas, adquiriu mobiliário, cercou-se de conforto e importou reprodutores para seus rebanhos. Em artigo publicado em 1886 na Gazeta Paranaense, o cronista Nivaldo Braga fez referência à casa erguida por Bonifácio José Baptista, destacando sua presença imponente na paisagem, visível da cidade de Castro, em meio às ondulações do campo. A propriedade mantinha acesso por estradas para carros e, pelos fundos, pelo rio Iapó, em canoas.

Fixando residência em Capão Alto, Bonifácio José Baptista dedicou-se à leitura e organizou a Biblioteca de Castro, que chegou a reunir cerca de seis mil volumes. Em 20 de novembro de 1886, D. Pedro II conferiu a ele e à sua esposa o título de Barões de Monte Carmelo. A presença de Bonifácio na fazenda representa uma nova etapa de ocupação, associada à elite rural, à pecuária, à vida intelectual e à consolidação das grandes propriedades dos Campos Gerais no final do século XIX.

Em 1905, a Fazenda Capão Alto foi herdada por Evangelina Prates da Silva Baptista, neta dos barões, casada com o médico Javert Madureira. Na década de 1940, após rumoroso processo, a propriedade passou às mãos de Vicente Fiorillo, que recebeu também a Fazenda Monte Alegre, confinante com Capão Alto e adquirida por Bonifácio José Baptista em 1873. Em 1979, a propriedade foi vendida à Cooperativa Castrolândia, cuja intenção inicial era restaurá-la e transformá-la em hotel-fazenda.

Capão Alto é um dos marcos históricos mais importantes do processo de ocupação dos Campos Gerais do Paraná. Não há documentação suficiente para esclarecer com precisão quais construções existiam ao tempo em que a propriedade passou dos carmelitas ao Barão de Monte Carmelo. O conjunto edificado, entretanto, formado por 12 edificações principais, revela claramente diferentes épocas construtivas e diferentes fases econômicas da fazenda.

Entre as construções que compõem o conjunto estão a casa-sede, a casa do capataz, a casa dos arreios, a cocheira, a antiga fábrica de queijos, estábulos, celeiros, aviários e depósitos. Algumas dessas edificações foram executadas em taipa de pilão, com divisões internas em pau-a-pique ou estuque, delimitando os pátios fronteiro e posterior. Outras, em alvenaria de tijolos ou madeira, provavelmente correspondem ao período em que a fazenda passou da criação de gado de corte para atividades ligadas ao gado leiteiro.

A casa-sede tem à sua frente um pátio murado, sendo que um dos lados é fechado pela parede de antigas edificações compostas pela casa do capataz, celeiro e casa de arreios. Um segundo pátio, aos fundos, ladeado pelo apêndice de serviços e pela antiga fábrica de queijos, conserva no centro o poço e o tanque sob cobertura. A implantação do conjunto revela a organização funcional da vida rural, articulando moradia, trabalho, criação de animais, produção de alimentos, armazenamento, circulação interna e espaços de serviço. A casa-sede exemplifica, em sua volumetria, a arquitetura rural da segunda metade do século XIX. Possui um pavimento sobre porão alto e mirante central arrematando a composição. Na frente, em toda a extensão da edificação, há varanda com colunas e guarda-corpo em ferro. O corpo central é enquadrado por duas portas com requadros em madeira, vergas e sobrevergas em arco pleno, além de bandeiras. A escadaria de acesso é em cantaria. As demais aberturas são janelas emolduradas por requadros de madeira, em sistema de guilhotina, divididas em quadrículos, com vergas e sobrevergas retas.

O mirante apresenta janelas frontais e laterais, seguindo o mesmo sistema do pavimento térreo. A cobertura principal é em quatro águas, com telha canal e beiral em cimalha de madeira. Os corpos laterais são cobertos por telhados em três águas, também em telha canal. Internamente, a casa segue o programa tradicional das casas de fazenda: salões e capela ao longo da varanda, dormitórios e alcovas na faixa central e sala de refeições aos fundos. A cozinha e o banheiro estão dispostos no apêndice que dá continuidade à lateral direita da casa.

Além de seu valor arquitetônico e histórico, a Fazenda Capão Alto possui grande relevância arqueológica. Pesquisas realizadas na área indicam a presença de vestígios materiais associados a diferentes períodos de ocupação, incluindo fragmentos de louças, vidros, objetos em ferro e cobre, ossos de animais domésticos e silvestres, cerâmica artesanal de matriz africana, tijolos e telhas. Esses materiais revelam padrões distintos de comportamento, consumo, trabalho e organização social, relacionados à ocupação da fazenda entre meados do século XVIII e o início do século XX.

As ruínas da antiga Capela de Santo Antônio, posteriormente associada à devoção de Nossa Senhora do Carmo, constituem uma das áreas de maior valor histórico e arqueológico do conjunto. A normativa específica da Fazenda Capão Alto reconhece essa área como edificação primordial e estabelece diretrizes para sua preservação, permitindo apenas intervenções de proteção que não representem falso histórico e que não prejudiquem os estudos arqueológicos. O documento também reconhece áreas de alto potencial arqueológico, como depósitos profundos e rasos, antigo depósito de lixo, provável área de antigo cemitério e o entorno imediato da fazenda.

A normativa de uso da Fazenda Capão Alto estabelece que as intervenções no bem tombado e em seu entorno devem preservar a integridade física, arquitetônica, arqueológica e paisagística do conjunto. O documento organiza o uso da área por meio de macrozoneamento, prevendo setores voltados à casa-sede, eventos, antiga capela, educação ambiental, tropeirismo e área ambiental. Também indica que o uso da fazenda deve estar associado a atividades de turismo, cultura, lazer, eventos, gastronomia e hotelaria, desde que tais atividades não coloquem em risco a autenticidade e a integridade do conjunto histórico. O conjunto edificado da Fazenda Capão Alto representa diferentes fases econômicas e épocas construtivas, marcadas pela diversidade de técnicas empregadas, como taipa de pilão, pau-a-pique, estuque, madeira e alvenaria de tijolos. Por isso, as edificações devem manter suas características tipológicas e construtivas, e as intervenções devem respeitar princípios de restauração como reversibilidade, autenticidade e compatibilidade com a paisagem. A casa-sede possui grau de proteção rigorosa, enquanto as demais edificações e ruínas recebem diretrizes específicas conforme sua importância para a leitura do conjunto.

Em 1983, diante da situação de abandono em que se encontrava a fazenda, a Coordenação do Patrimônio Cultural da Secretaria da Cultura e Esporte do Paraná estabeleceu contato com a Cooperativa Castrolândia a fim de encontrar alternativas para sua restauração e reutilização. Em 1984, a arquiteta Rosina Coeli Alice Parchen elaborou projeto de restauração e reciclagem do conjunto para instalação de um hotel-fazenda com capacidade para 40 hóspedes.

O tombamento estadual, realizado em 26 de novembro de 1983, reconheceu a Fazenda Capão Alto como patrimônio cultural do Paraná, inscrita sob o n.º 80-II no Livro do Tombo Histórico. Sua preservação valoriza a memória da ocupação dos Campos Gerais, do Caminho das Tropas, da presença carmelita, da pecuária, da arquitetura rural, da escravidão, das formas de resistência negra, das transformações produtivas e da paisagem cultural associada ao rio Iapó. Trata-se de um bem cuja importância ultrapassa a casa-sede, abrangendo o conjunto edificado, as ruínas, os vestígios arqueológicos, o entorno paisagístico e as múltiplas camadas históricas que constituem sua trajetória.

 

 

CHMYZ, Igor et al. Diagnóstico arqueológico, histórico e ambiental na área do sítio PR TI 9: Fazenda Capão Alto, Município de Castro, Estado do Paraná: relatório final. Curitiba: [s.n.], 2003.

GOMES, Joselia Maria Loyola de Oliveira. A presença de escravos carmelitas na Fazenda Capão Alto, no Paraná: questões historiográficas. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, Campinas, v. 26, n. 1, p. 173-190, jan./jun. 2018. DOI: 10.20396/resgate.v26i1.8649585.

GUTIÉRREZ, Horacio. Fazendas de gado no Paraná escravista. Topoi, Rio de Janeiro, v. 5, n. 9, p. 103-127, 2004. DOI: 10.1590/2237-101X005009005.

OLIVEIRA, Joice Fernanda de Souza. Os devotos da Sinhara: experiências de cativos paranaenses no oeste paulista. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 26., 2011, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: ANPUH, 2011.

OLIVEIRA, Joice Fernanda de Souza. Forasteiros no oeste paulista: escravos no comércio interno de cativos e suas experiências em Campinas, 1850-1888. 2013. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2013.

FAZENDA Capão Alto. Coordenação: José Guilherme Cantor Magnani. Curitiba: SECE, 1985. 68 p. (Cadernos do Patrimônio. Série Estudos, 1). Disponível em: https://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/sites/patrimonio-cultural/arquivos_restritos/files/documento/2023-02/fazenda_capao_alto.pdf

PARANÁ. Coordenação do Patrimônio Cultural. Normativas Fazenda Capão Alto – Castro/PR. Curitiba: CPC/SECC, 2021.

  • 80-II Fazenda Capão Alto - Castro
    80-II Fazenda Capão Alto - Castro (sem data)
    Foto: Macaxeira (SEEC) - Acervo Documental da CPC
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    80-II Fazenda Capão Alto - Castro (2014)
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    Inscrição de Tombamento 80-II Fazenda Capão Alto - Castro (1983)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Inscrição de Tombamento 80-II Fazenda Capão Alto - Castro (1983)
    Foto: Acervo Documental da CPC
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