Marcela Bettega apresenta o Caminho da Cantaria nos Campos Gerais 06/02/2026 - 11:21
Produtora cultural há mais de vinte anos, Marcela Bettega vem desde 2015 trabalhando com questões relacionadas ao Patrimônio Cultural. Sua pesquisa visa a documentação de afetos, caminhos e lugares. Bettega empreendeu junto ao Profice (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura) o projeto “Caminho da Cantaria nos Campos Gerais”, que vai mapeia, identifica e produz inventário acerca da arte da cantaria em pontos específicos da região, com foco específico na Igreja de Santo Antônio na Lapa, a ponte sobre o Rio dos Papagaios em Palmeira, a Ponte Irmã da ponte do Rio dos Papagaios no centro de Palmeira, e o conjunto de Arte Cemiterial em Castro.
O resultado final disponibilizado ao público em geral é o site (capellacultura.com.br/projeto-cantaria), por meio do qual, pesquisadores, estudiosos e interessados podem apreciar, consultar e aprender sobre esta técnica de edificação e ornamento arquitetônico. No endereço digital, os exemplares expostos revelam uma diversidade de uso, de técnicas e de matérias primas que vão permitir um entendimento amplo sobre a cantaria.
CANTARIA - A cantaria é uma técnica de trabalho com pedra, que envolve o corte, modelagem e acabamento para uso em construções, monumentos, esculturas e outros objetos. A técnica pode ser utilizada para criar elementos decorativos, estruturais ou funcionais, como colunas, arcos, janelas, portas, entre outros.
Trata-se uma técnica tradicional que exige habilidade e conhecimento específico, e é frequentemente utilizada em projetos de arquitetura, restauração e conservação de patrimônios históricos.
No contexto do projeto "O Caminho da Cantaria nos Campos Gerais", a cantaria se refere à técnica e à arte de trabalhar com pedra na região dos Campos Gerais do Paraná, Brasil, e envolve o estudo de técnicas tradicionais, materiais, suas ferramentas e alusão aos artífices locais que ainda dominam tal processo.
ENTENDIMENTO DO PATRIMÔNIO - A pesquisa estende seus tentáculos para a área socioeconômica. Marcela acredita que “assim, podemos apresentar possibilidades tanto para o turismo e geoturismo, quanto para a educação patrimonial nesses sítios, pois eles mesmos podem se tornar centros de divulgação, museus a céu aberto, de modo a aproximar o patrimônio cultural e geológico da comunidade em geral, quanto para torná-los atrativos para a visita de moradores e turistas como um todo”.
Há pelo menos cinco anos Marcela Bettega vem pesquisando sobre o patrimônio cultural paranaense, em especial o patrimônio edificado no litoral. Apesar de certa produção acadêmica sobre o tema, há alguma dificuldade de encontrar materiais que se debrucem sobre bens específicos, ou sobre tais técnicas construtivas. É o caso da técnica da cantaria, que ela identificou existir de forma relevante nos Campos Gerais, trazendo a lente de sua empreitada para o coração do Paraná. “O projeto pretende contribuir para a sistematização, organização e divulgação de um conhecimento aprofundado e refinado sobre o patrimônio cultural”, conclui.
Cidades mineiras como Ouro Preto, Mariana e Tiradentes, ou Paraty no Rio de Janeiro, possuem publicações diversas sobre seu patrimônio edificado, tanto em relação ao conjunto do centro histórico, quanto em relação às edificações específicas, muitas destas, inclusive, disponíveis gratuitamente pelo site do IPHAN.
O Paraná carece de tal material elucidativo acerca de seu patrimônio. Bettega, através de sua pesquisa, vai inventariar e identificar cada ponto significativo que tenha a cantaria como técnica utilizada. O objetivo é obter o reconhecimento e a valorização dos potenciais dos territórios, o que resultará também em premissa para um desenvolvimento sustentável.
INVENTÁRIO DIGITAL - Além da identificação de patrimônio edificado (em sua totalidade secular) via mapeamento e inventário — que está registrado no site —, especificamente nas cidades de Castro, Palmeira e Lapa, é parte integrante do projeto a realização de oficinas voltadas a gestores públicos, professores, pesquisadores e interessados em geral sobre os desdobramentos pelos quais a evidência desse patrimônio pode conduzir ao desenvolvimento da região.
O objetivo geral do projeto “O Caminho da Cantaria nos Campos Gerais” é registrar e difundir a trajetória da pesquisa de Marcela Bettega como um todo, suas peculiaridades, os métodos para a construção e prática de preservação (de patrimônio físico e memória histórica e afetiva), bem como sua divulgação para o geoturismo, geopatrimônio e o patrimônio cultural da localidade. Bettega foi diretora de Cultura na cidade de Morretes, licenciou-se em Artes Visuais e Geografia. É doutoranda em Geografia pela UEPG.
Para acompanhar o desenrolar da pesquisa, há uma perfil no Instagram: @caminhodacantaria. O projeto é realizado por meio do Profice, com apoio da Copel e apoio institucional do Iphan e CPC. A coordenação da produção está a cargo de Angela Meschino.




















