16-I: Praça Eufrásio Correia - Curitiba
- Inscrição: 16-I no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico
- Processo: 002/85
- Data da Inscrição: 26 de agosto de 1986
- Localização: Rua Barão do Rio Branco com Avenida Sete de Setembro; Rebouças; Município de Curitiba.
- Proprietário: Prefeitura Municipal de Curitiba
- Outras denominações: Praça da Estação Ferroviária; Largo da Estação; Praça Eufrásio Corrêa
A Praça Eufrásio Correia recebeu esse nome em homenagem ao político, advogado e jornalista parnanguara Manoel Eufrásio Correia. Por muitos anos, foi conhecida como Largo da Estação, em razão de sua relação direta com a antiga Estação Ferroviária de Curitiba. Sua importância histórica, urbana e paisagística foi reconhecida pelo tombamento estadual, realizado em 26 de agosto de 1986.
Histórico
No final do século XIX, mais precisamente em 1885, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Curitiba, marco importante do processo de modernização do Estado do Paraná. A estação tinha como principal finalidade dinamizar o transporte de produtos diversos, especialmente a erva-mate, entre Curitiba e Paranaguá, até então realizado por caminhos coloniais, como o Caminho do Peabiru e a Estrada da Graciosa.
Com a inauguração da estação, seu entorno, anteriormente conhecido como Largo da Estação, passou por um intenso processo de transformação urbana, dando origem à Praça Eufrásio Correia, em 1888.
Manoel Eufrásio Correia nasceu em Paranaguá, em 16 de agosto de 1839. Estudou no Recife, onde se formou bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1862. Após sua formação, retornou ao Paraná, passando a residir em Curitiba e a atuar como advogado. Ao longo de sua trajetória, ocupou diversos cargos públicos e políticos, entre eles os de promotor público, deputado provincial, presidente da Assembleia, chefe de Polícia em Santa Catarina e presidente da Província de Pernambuco.
Com a presença da Estação Ferroviária, a região passou a atrair diversas indústrias e estabelecimentos comerciais, especialmente ligados ao setor ervateiro. Além das indústrias de erva-mate, instalaram-se no entorno fábricas de barricas, utilizadas para o acondicionamento do produto, cervejarias, fábricas de fósforos, moinhos e armazéns. A movimentação econômica e o intenso fluxo de passageiros, incluindo a chegada de imigrantes, fizeram com que a praça assumisse o papel de importante ponto de encontro da cidade.
Nesse contexto, a antiga Rua da Liberdade, atual Rua Barão do Rio Branco, que ligava o Largo da Estação ao centro tradicional de Curitiba, consolidou-se como uma das principais artérias urbanas da cidade, recebendo também a implantação da estação de bondes.
Entre os principais estabelecimentos comerciais atraídos para a região estavam os hotéis, muitos deles pertencentes a imigrantes alemães e italianos, dedicados à hospedagem de viajantes, comerciantes, políticos e imigrantes. Ligaram-se à memória da praça e da cidade hotéis como o Yohnscher, o Brotto, o Delmira dos Santos, o Paraná, o Rio Branco, o Roma e o Tassi.
Com o desenvolvimento do transporte rodoviário, a transferência da Assembleia para o Centro Cívico e, posteriormente, a construção da Estação Rodoferroviária em outro local, a Praça Eufrásio Correia perdeu progressivamente seu papel de principal polo urbano da cidade.
Ainda que não conserve a mesma efervescência dos tempos em que concentrava importantes acontecimentos urbanos, a praça manteve parte significativa de sua escala histórica, marcada pela presença dos edifícios que balizavam seus limites: a Casa Emílio Romani, a oeste; a antiga Assembleia, ao norte; a sequência de sobrados, a leste; e a antiga Estação Ferroviária, ao sul.
Alguns elementos originais desapareceram, como os quiosques metálicos onde eram vendidos refrescos, rapaduras e passarinhos. Permaneceu, contudo, o chafariz de ferro importado da França, além da escultura O Semeador, de autoria do artista paranaense Zacco Paraná, oferecida à cidade pela colônia polonesa em 1922.
Na composição paisagística da praça, destacam-se os plátanos, especialmente no outono, quando sua folhagem adquire tons de marrom e castanho, contribuindo para sua reconhecida beleza urbana e paisagística.




















































