87-II: Palácio São Francisco - Curitiba
- Inscrição: 87-II no Livro do Tombo Histórico
- Processo: 02/87
- Data da Inscrição: 26 de novembro de 1987
- Localização: Rua Dr. Kellers, 289; Município de Curitiba
- Proprietário: Governo do Estado do Paraná
- Outras denominações: Museu Paranaense
Mapa de Entorno:
O Palácio São Francisco, antiga residência da família Garmatter e atual sede do Museu Paranaense, é uma das edificações históricas mais representativas do Alto São Francisco, em Curitiba. Construído entre 1928 e 1929 pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves, a pedido de Júlio Garmatter, o edifício foi adquirido pelo Governo do Estado do Paraná em 1938 para sediar a administração estadual. Após abrigar o governo até 1953 e, posteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral, o imóvel foi restaurado e passou a sediar, em 2002, o Museu Paranaense, uma das instituições museológicas mais antigas do Brasil. Tombado pelo Estado do Paraná em 26 de novembro de 1987, o Palácio São Francisco constitui importante exemplar da arquitetura eclética com influência germânica e registra diferentes momentos da história política, administrativa e cultural paranaense.
Histórico
O Palácio São Francisco, antiga Casa Garmatter e atual sede do Museu Paranaense, foi construído a pedido de Júlio Garmatter, próspero fazendeiro paranaense. Em uma viagem pela Alemanha, Garmatter ficou encantado com uma mansão; de volta a Curitiba, pediu que construíssem uma casa nos mesmos moldes da que chamou sua atenção na Europa, e ali residiu de 1929 a 1936, com sua família. Atendendo ao apelo que lhe fez seu amigo Manoel Ribas, interventor do Estado, Garmatter vendeu, em 1938, a propriedade ao Governo do Paraná para instalação da sede governamental.
A denominação Palácio São Francisco decorre do local onde se situa, fronteiro à área em que, no século XVIII, os franciscanos tiveram sua capela, e que ficou conhecida como Alto de São Francisco.
Em 1953, com a transferência da sede do governo para o Centro Cívico, o Palácio São Francisco deixou de abrigar a administração estadual. Posteriormente, foi cedido ao Governo Federal para abrigar o Tribunal Regional Eleitoral, que ali se instalou em 1961 e permaneceu até 1987. Devolvido ao Governo do Estado, foi restaurado pela Curadoria do Patrimônio Histórico e Artístico, com apoio da SPHAN/Pró-Memória, cujo representante no Paraná, o arquiteto José La Pastina Filho, coordenou os trabalhos de arquitetura. Os trabalhos de pintura de tetos e paredes internas foram dirigidos pela restauradora Suely Deschermayer.
Esse edifício de dois pavimentos, subsolo e sótão, construído com superfícies cegas, monumentalidade de escala, ausência de ornatos e rigor de composição, revela influência germânica, frequentemente presente em Curitiba. Espelha também o período de transição entre o ecletismo neoclássico e o modernismo, mantendo, do primeiro, a simetria, manifesta na imponente fachada posterior; e, do segundo, a nudez das paredes. O sótão, não ocupando toda a superfície da casa, é cercado por um terraço de cobertura, cujo guarda-corpo, em alvenaria e parcialmente vazado, constitui a platibanda de arremate das fachadas.
Destacam-se do rígido volume o pórtico coberto por terraço, que protege a entrada situada na fachada lateral, e a parede saliente, de forma cilíndrica, na frontaria do Palácio. A restauração, feita em 1987, restabeleceu, de modo geral, a divisão dos espaços, revelou o tratamento original das paredes, eliminou o compartimento construído sobre o pórtico da entrada, mas manteve o edifício contíguo ao Palácio, erguido na década de 1960, distinguindo-o, porém, por meio da diferenciação da tonalidade pictórica.


















































