Imóvel sito à Rua Barão do Rio Branco esquina com Rua Barão dos Campos Gerais - Lapa

A casa construída no século XIX é um dos raros exemplares da arquitetura colonial no Paraná, protegida pelo tombamento estadual de 15 de fevereiro de 1971. O imóvel está localizado em pleno Centro Histórico da Lapa, área declarada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

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Mais informações

Inscrição: 28-II

Processo: 28/71

Data da Inscrição: 15 de fevereiro de 1971

Localização:
Município de LAPA
Praça General Carneiro

Proprietário: Prefeitura Municipal da Lapa

Outras denominações: Museu das Armas

HISTÓRICO

O pouso de tropeiros situado às margens da estrada que ligava a capitania de São Paulo ao continente de São Pedro do Rio Grande é responsável pela formação da primitiva povoação da Lapa. Por volta de 1950 é muito provável que seus moradores se agrupassem em torno da modesta ermida então existente, nas proximidades da atual igreja matriz. Depois das primitivas casas de madeira e de taipa, à medida que a vila prosperava começaram a surgir, já em pedra e cal, outras edificações em torno do novo templo religioso em alvenaria de pedra concluído durante a segunda metade do século XVIII. 

Sempre a igreja definindo, em função de sua relação espiritual com o homem, o centro do povoamento, o espaço comunitário. Partido inicial comum a todas as povoações, embora nem sempre utilizado da mesma maneira, mas que se acomodou ao ideário do século XVIII, pelo qual as praças tendiam a ocupar os vazios existentes na malha urbana, diante das edificações religiosas e civis de maior importância: a igreja e a casa de câmara. Por outro lado, absorvendo igualmente as tendências geometrizantes do classicismo europeu, iniciou-se a regularização do seu traçado; não mais fruto do acaso, mas em xadrez, ortogonal. E a cidade da Lapa constitui bom exemplo dessa nova concepção. A primeira casa em pedra e cal foi erguida em 1824 e continua de pé: era propriedade do Capitão-mor Francisco Teixeira Coelho e fica na atual Praça General Carneiro.

As principais ruas, traçadas no sentido Norte-Sul, eram quatro e tinham nome simples: a das Tropas, a da Boa Vista (que permitia se visse a linha do horizonte no descampado, tanto para o Norte como para o Sul), a do Cotovelo e a da Cadeia Velha, sucessivamente denominada do Quebra-Pote, da Cachaça e de Rezende. Havia, ainda, o Pátio da Matriz e o Largo das Laranjeiras, a Travessa do Chafariz, que ligava a Rua das Tropas à da Boa Vista, e as travessas do Ferreiro e do Bispo. Os becos levavam o nome das ruas a que serviam. Muitas travessas, becos, e até mesmo novas ruas que depois iriam surgir, são mencionados em documentos apenas como “de fulano de tal”. Em geral, nos becos não havia casas, apenas muros laterais ou de fundos; ou, então, cercas delimitando a propriedade erguida sobre a rua principal. Os campos e a floresta vinham morrer bem junto às ruas-limite do povoado, depois freguesia de Santo Antônio da Lapa, Vila Nova do Príncipe e cidade da Lapa.

Em 1892 o recenseamento levado a efeito revela que a cidade contava com 172 casas habitadas, a matriz de Santo Antônio, a Casa de Câmara e Cadeia, quatro ruas longitudinais, seis transversais, três largos, um cemitério católico, quatro fontes e 1.423 fogos. Eram 8.709 os habitantes, dos quais 982 urbanos.

A igreja e a cadeia destacavam-se na paisagem urbana, não somente por duas dimensões, como por se acharem isoladas: a igreja, na praça, e a cadeia rodeada por terreno que ocupava toda a quadra. A Lapa dos séculos XVIII e XIX é, ainda, perfeitamente identificável em seu conjunto urbano, cuja escala se mantém praticamente inalterada. O traçado de suas ruas, no sentido Norte-Sul, como já foi dito, orientou a implantação das edificações, disposição e uso dos lotes e definiu, o que é muito importante, a estrutura do Centro Histórico, do qual faz parte o Museu das Armas.

Ao iniciar-se a última década do século XIX, a Lapa, então próspera cidade e sede de município, vivia intensa fase de diversificação de serviços. Fundara-se a Associação Literária Lapeana e organizara-se sua biblioteca; construíra-se o Teatro São João, melhorara-se o traçado da estrada de rodagem que demandava Curitiba e começava-se a implantação dos trilhos da estrada de ferro. A maioria das ruas do centro urbano já era calçada e a cidade possuía vários jornais.

Ao encerrar-se o ano de 1893, reinava, entretanto, a apreensão. A guerra fratricida até então simples noticiário de acontecimentos ocorridos muito distante estava às portas da cidade, a qual, pela primeira vez em muitos anos, não vira realizar-se popular festa consagrada a São Benedito, com seus folguedos e congadas. Tampouco os lapeanos continuavam a colocar cadeiras nas calçadas, ao findar-se a tarde, para gozar à fresca e assuntar novidades, hábito de todos os moradores das pequenas cidades.

Desde o início de novembro, o que se via, então, nas ruas, era o tráfego apressado de obuseiros Krupp, arrastados por carretas em louca disparada, a poeira levantada por cavalarianos a galope ou a marchar descadenciado dos soldados do Batalhão Patriótico, todos a caminho de uma elevação entre o Rio Negro e a Lapa, posição considerada estrategicamente muito boa, com o rio à esquerda e, por trás, a estrada que demandava a cidade. Mas no dia 22 daquele mês, após intensos combates, foi dada ordem para que as tropas que defendiam a República se retraíssem para a Lapa e a transformassem em recinto fortificado. E não transcorreu muito tempo até que as primeiras salvas de canhão e a metralha deixassem de ser apenas ecos de guerra travada bem longe.

Doze anos haviam se passado desde que a vila fora elevada à categoria de cidade, e em meio a muita chuva, frio e neblina, de 17 de janeiro a 11 de fevereiro de 1894, nela se viveram dias de agonia pela luta sangrenta travada contra os revoltosos federalistas que procediam do Sul do país em direção a São Paulo. Transformada em campo de batalha, completamente rodeada por trincheiras e barricadas, foi alvo de descargas de artilharia e de intensa fuzilaria. Em suas ruas e praças, já bastante esburacadas, bravamente unidos, civis e soldados, sob o comando do então coronel Gomes Carneiro, lutaram até, após sua morte, inferiorizados, faltos de munição e de víveres, capitutar honrosamente.

Aos poucos, com o passar do tempo, a cidade foi se recuperando. Testemunham-no as reconstruções efetuadas no casario bastante arruinado, também prova concreta do longo sofrimento vivido por sua população. A heróica resistência – ligada de forma inescusável à derrota dos federalistas e à consolidação da República, conforme o demonstrou Rocha Pombo – tornou a cidade, pelo heroico feito, marco histórico-militar do estado do Paraná, especificidade que o Plano Diretor Urbano, instituído por lei em 1979, pela Prefeitura municipal, procurou preservar, além de dotar a cidade de instrumental capaz de lhe assegurar um desenvolvimento ordenado e de revitalizar seu Centro Histórico.

Evocando o épico feito, em 1944, como parte das comemorações do cinquentenário do cerco, ergueu-se o Panteão dos Heróis, na atual Praça Coronel Lacerda, para o qual foram tranladados os despojos dos coronéis Gomes Carneiro e Dulcídio Pereira, até então inumados na igreja matriz.

A antiga casa de comércio e moradia do século XIX é um dos principais remanescentes urbanos da arquitetura luso-brasileira daquela época. Adquirida pela prefeitura municipal em 1970 aos herdeiros do então proprietário, representados por Gracinda Lacerda Montenegro, foi restaurada sob orientação do arquiteto Cyro Corrêa Oliveira Lyra, na época diretor do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná, e enquadra-se à perfeição aos fins específicos a que se propôs.

Em 1972, a Prefeitura Municipal da Lapa firmou termo de comodato com Osiris Stengel Guimarães, proprietário de coleção de armas antigas e objetos relacionados às lutas travadas na cidade, no sentido de que os transferisse e expusesse no prédio então recuperado. Essa coleção ali ficou exposta até 1994 quando foi transferida para a antiga Casa de Câmara e Cadeia.

O imóvel é em estilo colonial, construído em alvenaria mista, argamassa, pedra e tijolo. Na fachada levantada à Rua Barão do Rio Branco abrem-se três portas e três janelas, emolduradas por requadros de cantaria, as primeiras em folha cega, almofadadas, sistema de guilhotina, vidraças divididas em quadrículos. Telhados em quatro águas, arrematado por beiral em beira-seveira. Lateralmente existe entrada para veículos para um pátio calçado com pedras.

 

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    Imóvel sito à Rua Barão do Rio Branco esquina com Rua Barão dos Campos Gerais - Lapa - Livro Tombo II - Inscrição 28 - Página 23
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