122-II: Igreja de Nossa Senhora do Pilar - Antonina

  • Inscrição: 122-II no Livro do Tombo Histórico
  • Processo: 01/95
  • Data da Inscrição: 08 de novembro de 1999
  • Localização: Praça Coronel Macedo - Centro, Município de Antonina
  • Proprietário: Particular - Mitra Diocesana de Paranaguá

 

Com uma história de mais de três séculos, é uma das edificações religiosas mais antigas do Paraná e foi o núcleo inicial de colonização da então Freguesia de Nossa Senhora do Pilar. A inauguração da capela-mor ocorreu em 1715 e, ao longo dos anos, a igreja teve sua construção ampliada. Desde 8 de novembro de 1999, é um bem cultural tombado pelo Estado do Paraná e, a partir de 2012, passou a integrar o tombamento do Centro Histórico de Antonina, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

 

Histórico

A Estação Ferroviária de Antonina constitui um dos mais importantes exemplares do patrimônio ferroviário e industrial do litoral paranaense. Seu conjunto é formado, majoritariamente, pelo edifício da estação inaugurado em 1922 e pelas estruturas vinculadas ao antigo ramal ferroviário Morretes–Antonina, implantado no final do século XIX para integrar o município ao sistema ferroviário estadual. Utilizados desde 1892, esses elementos possuem como principal característica sua estreita relação com os processos de circulação econômica, integração territorial e reorganização dos fluxos comerciais no Paraná. Trata-se, portanto, de um conjunto arquitetônico e histórico que registra a formação e o desenvolvimento dos sistemas de transporte, das atividades portuárias e das transformações urbanas e econômicas de Antonina ao longo do tempo.

Entre os principais aspectos contemplados pelo bem, destacam-se a implantação da ferrovia Paranaguá–Curitiba em 1885, a construção do ramal ferroviário que ligou Antonina e Morretes, as disputas políticas e econômicas entre Antonina e Paranaguá pela centralidade portuária do estado, além da intensa atuação das Indústrias Matarazzo no transporte ferroviário de cargas durante o início do século XX. Esses elementos permitem compreender não apenas o funcionamento da malha ferroviária paranaense, mas também as dinâmicas políticas, econômicas e regionais que marcaram a história do litoral e influenciaram diretamente os rumos do desenvolvimento do Paraná.

A trajetória da estação está profundamente associada às transformações dos meios de transporte e à chamada “guerra das cidades litorâneas”, marcada pela disputa entre Antonina e Paranaguá pela hegemonia comercial e portuária. Durante os séculos XVIII e XIX, Antonina prosperou por sua proximidade com os caminhos que ligavam o litoral ao planalto, como o Itupava e a Estrada da Graciosa, funcionando como elo estratégico entre Curitiba e o mar. Contudo, a definição do traçado ferroviário privilegiando Paranaguá, somada à instalação da alfândega naquele município e à modernização de seu porto, provocou o gradual deslocamento do eixo econômico regional. Nesse contexto, o ramal ferroviário de Antonina surgiu como uma tentativa de reinserir a cidade nas novas dinâmicas de circulação e comércio estabelecidas pela modernidade ferroviária.

No início do século XX, a instalação das Indústrias Matarazzo trouxe novo impulso econômico à cidade e à estação ferroviária, que passou a desempenhar papel fundamental no transporte de matérias-primas e produtos industrializados. Durante décadas, os trilhos constituíram importantes artérias econômicas de Antonina, conectando o porto, as indústrias e o interior do estado. Entretanto, o fortalecimento do Porto de Paranaguá, o avanço do transporte rodoviário e a gradual desativação do ramal ferroviário ao longo do século XX conduziram à perda de centralidade econômica da cidade e ao encerramento das atividades ferroviárias de passageiros na década de 1970.

Para além de seu valor arquitetônico e histórico, a Estação Ferroviária de Antonina representa um marco na preservação da memória e do patrimônio cultural local. Seu conjunto reúne elementos arquitetônicos vinculados à linguagem eclética, como a composição simétrica da fachada, colunas com capitéis jônicos, frontão curvo, óculo central e ornamentos em argamassa, além de registros materiais associados à história ferroviária e portuária da cidade. Após um incêndio que destruiu a antiga estação em madeira, o atual edifício em alvenaria consolidou-se como símbolo da permanência e da modernização urbana de Antonina nas primeiras décadas do século XX.

Nesse sentido, o bem não apenas documenta a evolução dos sistemas de transporte e das atividades econômicas regionais, mas também preserva vestígios das experiências cotidianas ligadas à circulação de trabalhadores, viajantes e mercadorias, revelando práticas sociais, relações urbanas e memórias coletivas que constituíram a trajetória histórica da população antoninense. A estação permanece, assim, como testemunha material das profundas transformações econômicas, políticas e territoriais que redefiniram o litoral paranaense ao longo do tempo.

O conjunto, localizado no município de Antonina, configura-se, portanto, como um espaço essencial para a preservação da memória e a valorização do patrimônio cultural paranaense, ao reunir, de forma coerente, elementos ligados à história da ferrovia, do porto e da formação econômica do litoral em um determinado tempo e lugar. Seu tombamento justifica-se pela relevância histórica, arquitetônica, cultural e social, garantindo a salvaguarda de um bem que contribui decisivamente para a compreensão das transformações econômicas, políticas e territoriais que marcaram a história de Antonina e do Paraná.

 

  • Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1930)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1930)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1930)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Inscrição de Tombamento Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II
    Inscrição de Tombamento Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Inscrição de Tombamento Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (sem data)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (sem data)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (sem data)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1963)
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (1930)
    Inscrição de Tombamento Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II
    Igreja de Nossa Senhora do Pilar 122-II (sem data)