22-II: Fonte da Carioca - Antonina
- Inscrição: 22-II no Livro do Tombo Histórico
- Processo: 22/69
- Data da Inscrição: 23 de abril de 1969
- Localização: Largo da Carioca (confluência das ruas Coronel João Gualberto e Padre Pinto), Município de Antonina
- Proprietário: Prefeitura Municipal de Antonina
A Fonte da Carioca é uma das raras obras construída nos tempos do Brasil Colônia, tão antiga quanto a cidade. Pelo valor cultural, a fonte passou, a partir de 23 de abril de 1969, a ser um bem tombado pelo Estado do Paraná. Localizada no Centro Histórico de Antonina, é patrimônio cultural brasileiro, ao compor a área de tombamento realizado em 2012 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Histórico
A Fonte da Carioca é um dos exemplares do patrimônio histórico e urbano de Antonina e do litoral paranaense. Seu conjunto é formado, majoritariamente, pelo monumento da fonte, pelo tanque de abastecimento e pelo Largo da Carioca, utilizados desde o período colonial, tendo como principal característica sua continuidade histórica como espaço de abastecimento, sociabilidade e memória urbana. Trata-se, portanto, de um conjunto arquitetônico e cultural que registra a formação e o desenvolvimento da ocupação urbana e da vida cotidiana antoninense ao longo do tempo.
Entre os principais aspectos contemplados pelo bem, destacam-se sua relação com as origens do povoamento de Antonina, o aproveitamento do manancial hídrico para abastecimento da população desde o século XVII, além de sua permanência como marco simbólico da cidade ao longo dos períodos colonial, imperial e republicano. Esses elementos permitem compreender não apenas a função histórica da fonte como espaço de abastecimento público, mas também as dinâmicas urbanas, sociais e culturais que marcaram a história do litoral paranaense.
A Fonte da Carioca está diretamente associada aos primeiros processos de ocupação da região, sendo mencionada desde a concessão de sesmarias realizada em 1646 por Gabriel de Lara aos povoadores Pedro Uzeda, Manoel Duarte e Antônio de Leão. Referenciada também nas Memórias Históricas de Paranaguá, de Antônio Vieira dos Santos, a fonte consolidou-se como um dos principais marcos da antiga vila, servindo à população com água proveniente da pedreira próxima. Em 1880, durante a visita de D. Pedro II ao Paraná, registra-se que o imperador teria tomado água da fonte, episódio que contribuiu para que o local passasse a ser conhecido também como “Fonte Imperial”.
Para além de seu valor arquitetônico e histórico, a Fonte da Carioca representa um marco na preservação da memória e do patrimônio cultural local. Seu conjunto reúne elementos arquitetônicos de inspiração barroca, como a empena ornamentada por curvas e contracurvas, os coruchéis decorativos e as armas do Império executadas em massa, além do tanque quadrangular e do largo que conforma sua ambiência urbana. Esses elementos evidenciam aspectos do cotidiano e das formas de sociabilidade associadas aos espaços públicos tradicionais, oferecendo subsídios fundamentais para a compreensão da história social e urbana de Antonina.
Nesse sentido, o bem não apenas documenta antigas práticas de abastecimento e organização urbana, mas também preserva vestígios da vida comum, revelando experiências, encontros e relações sociais construídas em torno da utilização coletiva da água e dos espaços públicos da cidade. Ao longo do tempo, embora o entorno tenha passado por transformações urbanas, a Fonte da Carioca manteve suas principais características arquitetônicas, consolidando-se como referência paisagística e simbólica do centro histórico antoninense.
O conjunto, localizado na confluência das ruas Theófilo Soares Gomes e Padre Pinto, no Centro Histórico de Antonina, configura-se, assim, como um espaço essencial para a preservação da memória e a valorização do patrimônio cultural paranaense, ao reunir, de forma coerente, registros materiais e simbólicos ligados à formação urbana e à vida em sociedade em um determinado tempo e lugar. Seu tombamento justifica-se pela relevância histórica, arquitetônica, cultural e social, garantindo a salvaguarda de um bem que contribui decisivamente para a compreensão da história de Antonina e do litoral do Paraná.














