Estação Ferroviária de Castro

Inscrição: Tombo 133-II

Processo: 03/97

Data da Inscrição: 10 de outubro de 2000

Localização
Município: CASTRO
Avenida Miguel Couto, s/n - Centro

Proprietário: Particular - Rede Ferroviária Federal S.A.

HISTÓRICO

Com uma estrutura arquitetônica bastante simples, a estação ferroviária de Castro, inaugurada em dezembro de 1899, foi construída em alvenaria de tijolos sobre embasamento de pedras. A estrutura da cobertura em tesouras de madeira tem duas águas, cobertas por telhas cerâmicas, do tipo francesa. Na área da plataforma, a água da cobertura avança para criar a área coberta de acesso, apresentando no conjunto da estrutura uma sequência de mãos francesas em madeira, engatadas em suportes também em madeira, na plataforma com uma cobertura estruturada sobre apoios metálicos. 

As paredes são rebocadas e têm poucos detalhes. Destacam-se os pilares estruturais arrematados na parte superior por frisos em relevo. Internamente o piso é revestido, na parte original, com ladrilhos, e na parte recuperada com placas de ardósia. As paredes são rebocadas e pintadas e o forro em tabuado com mata-junta. 

Desativadas pela RFFSA, após convênio, recebeu obras que foram realizadas pela Prefeitura Municipal de Castro, em 1992. Passou, então, a sediar um setor do Departamento de Cultura Municipal. Das três salas, duas são ocupadas pela Prefeitura e uma delas pela RFFSA.

 

Relato da viagem inaugural do trecho Ponta Grossa-Castro, em 16 de dezembro de 1899, da estrada de Ferro S. Paulo-Rio Grande, da autoria de Ernesto Senna, publicado pelo jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1900, págs. 107 e 108.

“Ás 11 horas passámos a pequena ponte do Pitangui e as 11 e 50 parámos na estação de Carambehy, a 1.140 metros acima do nível do mar, seguindo para a estação do Tronco onde chegamos ao meio dia. Todas as estações estavam enfeitadas e embaideiradas com elegancia.
Á 12 1/2chegou o trem inaugural á Estação da cidade de Castro em cujo vasto e enorme armazem realizou-se o profuso almoço servido pela confeitaria Colombo desta capital, que caprichou na boa execução do serviço, apresentando uma bem montada mesa com peças artisticas e dispostas em forma sde I em que tomaram o lugar 108 convidados. O vasto armazem que foi transformado em um extenso bosque proficientemente preparado pelo Sr. Mechaux, armazenista da Companhia, apresentava um aspecto agradabilissimo e pittoresco, offerecendo assim aos convidados a mais suave e agradavel impressão.
Nesse almoço que terminou á 1 e 40 da tarde o Sr. Candido de Abreu, Secretario da Viação, brindou o Sr. Dr. Fernandes Pinheiro em nome do Governador do Estado, que agradecendo saudou o Governador do estado do Paraná. E, receiando o Dr. Fernandes Pinheiro que aberta a valvula aos brindes estes viram atrazar a viagam, fechou o regulador, declarando que tomava sobre si resumir todos os brindes, que por ventura estivesses engatilhados ou podessem expontaneamente axplodir, em um único, - ao futuro do Estado do Paraná.
De novo a comitiva tomou o trem e dirigio-se para a cidade no local em que se acha a notaval ponte do longo e largo rio Yapó, onde chegou s 1 e 50 minutos da tarde.
A cidade no local junto da ponte, estava enfeitada, notando-se a presença de grande numero de senhoras e cavalheiros. Em um grande arco lia-se em trophéus os nomes: Paulo Frontin, Crockat, Sá Morsing, H. Penna, e a palavra Yapó, estando tambem a ponte decorada com pequenas bandeiras de todas as nacionalidades.
Desembarcando a comitiva a Sra. Anna Sengés Gary, espoda do Sr. Luciano Gary, em companhia dos Srs. Drs. Fernandes Pinheiro e Andrade Pinto, dirigiu-se em um pequeno vagonete para o ponto central da ponte e ahi baptisando-a com o nome de Ponte de Yapó arremessou de encontro as vigas de ferro uma garrafa de Chanpagne. Innumeros foram os vivas e saudações levantados nessa occaião, executando a banda de musica o hynno nacional, no meio de atroadora explosão das salvas e da fogueteria".

GALERIA DE IMAGENS