26-II: Capela da Nossa Senhora da Conceição - Balsa Nova
- Inscrição: 26-II no Livro do Tombo Histórico
- Processo: 26/70
- Data da Inscrição: 04 de setembro de 1970
- Localização: Tamanduá; Município de Balsa Nova
- Proprietário: Particular - Mitra Diocesana de Curitiba
- Outras denominações: Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Pilar de Tamanduá
A Capela de Nossa Senhora da Conceição de Tamanduá, localizada no município de Balsa Nova, é uma das edificações religiosas mais antigas do Paraná. Construída entre 1727 e 1730, em alvenaria de pedra argamassada, a capela está associada à antiga povoação de Tamanduá, importante núcleo dos Campos Gerais no século XVIII. Tombada pelo Estado do Paraná em 4 de setembro de 1970, a edificação preserva a memória da ocupação colonial, da religiosidade católica e dos antigos caminhos de circulação que marcaram a formação histórica da região.
Histórico
A Capela de Nossa Senhora da Conceição de Tamanduá, também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Pilar de Tamanduá, localiza-se na antiga povoação de Tamanduá, atual município de Balsa Nova. A edificação constitui um dos mais antigos testemunhos da arquitetura religiosa paranaense e está associada à formação histórica dos Campos Gerais, em área ligada aos caminhos de circulação, pouso e ocupação territorial entre Curitiba, o planalto e as regiões de expansão colonial.
Em meados do século XVIII, conforme o historiador David Carneiro, Tamanduá figurava entre os locais de maior importância dos Campos Gerais, ao lado da Lapa, de São José dos Pinhais e de Castro. Naquele período, a povoação já reunia famílias estabelecidas, força de milícia, presença carmelita e referências religiosas que a tornavam um núcleo expressivo na organização territorial da região.
A história de Tamanduá está relacionada à atuação de Antônio Luiz Lamin, conhecido como Antônio Tigre, proprietário de extensas terras entre o segundo planalto e Curitiba. No início do século XVIII, ele doou parte de suas terras para a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. A primeira capela teria sido erguida por frades carmelitas por volta de 1709, como expressão da religiosidade local e da consolidação da povoação.
Em 1727, Antônio Tigre mandou construir a atual capela, em alvenaria de pedra argamassada. As obras foram concluídas em 1730, ocasião em que foi trasladada para o templo a imagem de Nossa Senhora da Conceição, associada à devoção local. Pouco antes de sua morte, Antônio Tigre legou à capela terras, gado e outros bens, reforçando sua importância religiosa, econômica e social para a antiga comunidade.
Tamanduá foi desmembrada de Curitiba e elevada à condição de freguesia em 20 de março de 1813, por alvará do príncipe regente. Em 9 de maio do mesmo ano, foram fixados os limites entre as paróquias. Posteriormente, em 1820, foi concedida licença para a transferência da sede paroquial para Palmeira, processo que reduziu a centralidade administrativa e religiosa de Tamanduá, embora a capela permanecesse como marco histórico e devocional.
A edificação apresenta composição simples, com cobertura em duas águas, telhas capa-e-canal e beiral encachorrado. É formada por dois corpos principais: nave e sacristia lateral. A fachada é encimada por uma cruz de ferro e possui portada central emoldurada por requadros em cantaria, com verga reta. As demais aberturas, incluindo o acesso à sacristia e a janela lateral, também apresentam requadros em cantaria e vergas retas.
Ao longo de sua história, a capela passou por diferentes intervenções de conservação e restauração. Em 1820, já bastante arruinada, recebeu obras de conservação, o mesmo ocorrendo em 1906. A documentação técnica também registra intervenções em 1952, 1975 e 1984, envolvendo reparos na cobertura, pintura, substituição de elementos comprometidos e recuperação de partes da edificação.
O tombamento estadual, realizado em 4 de setembro de 1970, reconheceu a Capela de Nossa Senhora da Conceição de Tamanduá como patrimônio cultural do Paraná, inscrita sob o n.º 26-II no Livro do Tombo Histórico. Sua preservação valoriza a memória da ocupação colonial dos Campos Gerais, a presença da religiosidade católica na formação das antigas povoações paranaenses e a permanência de uma das mais antigas arquiteturas religiosas do Estado.
Atualmente, além da proteção estadual, o conjunto da capela também consta na base oficial do IPHAN com tombamento aprovado, reforçando sua relevância para a história do patrimônio cultural brasileiro.














































































