Antigo Palácio Wolff - Curitiba

Inscrição: Tombo 71-II

Processo: 74/81

Data da Inscrição: 09 de abril de 1981

Localização
Município: CURITIBA
Praça Garibaldi, 7

Proprietário: Prefeitura Municipal de Curitiba

HISTÓRICO

José Wolf, imigrante de origem austríaca que chegara ao Brasil em 1858, e que naquele mesmo ano montara em Curitiba sua primeira cervejaria, requereu em 1875 “cem palmos” de terreno no Largo de Igreja do Rosário para construir um edifício. Não se sabe se a finalidade de sua construção era de moradia permanente da família, que possuindo uma chácara nos arredores da cidade, utilizava a casa do antigo Largo do Rosário para reuniões sociais, como a festa realizada no dia 21 de abril de 1877 comemorando a instalação da Loja Maçônica Concórdia IV. Entre 1889 e 1895 serviu esse prédio ao Quartel-General do 5º Distrito do Exército brasileiro. 

Dez anos depois da saída do quartel, foi a casa alugada ao Colégio Bom Jesus, pertencente aos franciscanos, que ali instalaram a seção alemã daquele educandário, permanecendo no prédio até 1911. O inquilino seguinte foi o próprio município, cuja Prefeitura e Câmara nele permaneceram um ano, de 1912 a 1913. Sucederam-se diversos locatários - uma escola particular de música, uma livraria e um escritório de engenharia. No início dos anos 70 havia se tornado uma casa de cômodos, abrigando mais de uma dezena de moradores. 

Em 1974, Jaime Lerner, então prefeito de Curitiba, tomou a iniciativa de promover sua desapropriação para ali instalar a recém-criada Fundação Cultural, contratando naquele mesmo ano os arquitetos Cyro Corrêa de Oliveira Lyra e José La Pastina Filho para projetarem a restauração e reciclagem do prédio. Foram eliminados diversos acréscimos e divisões internas introduzidas na edificação ao longo de sua história, estabilizada sua estrutura, demolida a platibanda e refeito o beiral em telhas alemãs, recuperada sua primitiva coloração amarelo-ocre.
 
Ocupando uma área de esquina de 300m, em frente à Igreja de N. Sra. do Rosário, exemplifica esse monumento a arquitetura nobre urbana de residência da segunda metade do século XIX. O ecletismo de sua arquitetura é expresso pela convivência de influências do neoclássico, urbano por excelência, com elementos culturais de origem germânica típicos de suas edificações rurais. Neoclássica é a composição das fachadas. Na principal, o eixo de simetria, marcado pela superposição da porta de entrada, sacada e porta superior, divide duas sequências ritmadas, iguais, de janelões flanqueados por pilastras de fuste canelado. Ressaltos almofadados em ponta de diamante ornamentam os paramentos de alvenaria, abaixo e acima das aberturas. 

A tradição germânica se faz presente na cobertura, de telhas cerâmicas, em forma de escama, ditas alemãs; na técnica construtiva do enxaimel das paredes dos fundos e nos lambrequins de madeira recortada que enfeitam os beirais das varandas internas. A disposição do espaço, em L, proporciona um pequeno pátio interno. A distribuição dos aposentos é comandada por um corredor central, ligando em ambos os andares a frente da casa à varanda dos fundos. Para esse corredor se abrem os aposentos principais – as salas maiores voltadas para o exterior, as menores, para o pátio. Na extremidade direita da casa a antiga garagem é vazada por arcos, sendo o exterior aberto para a praça e o interior para o pátio. O tratamento interno segue a sobriedade característica da moradia tradicional brasileira, destacando-se, porém, a qualidade do trabalho de marcenaria nas esquadrias, na escada e nos detalhes da varanda.

Hoje, o espaço é utilizado como Casa da Leitura. A sede da Fundação Cultural foi transferida para o bairro Rebouças.

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