5-I: Paisagem Urbana do trecho da Praça Osório, Avenida Luís Xavier, Rua XV de Novembro e Praça Santos Andrade - Curitiba
- Inscrição: 05-I no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico
- Processo: 45/74
- Data da Inscrição: 11 de março de 1974
- Localização: Extensão compreendida entre a Praça Osório e a Praça Santos Andrade; Município de Curitiba
- Proprietário: Particular – Diversos
- Normativa: Normas de Uso da Paisagem Urbana da Rua XV de Novembro
A Paisagem Urbana da Rua XV de Novembro, tradicionalmente conhecida como Rua das Flores, constitui um dos principais eixos históricos, comerciais e culturais de Curitiba. Seu trecho tombado, compreendido entre a Praça Osório e a Praça Santos Andrade, reúne praças, edifícios históricos, sobrados e exemplares arquitetônicos associados à formação urbana da cidade entre os séculos XIX e XX. Tombada pelo Estado do Paraná em 11 de março de 1974, a paisagem da Rua XV preserva referências da vida social curitibana, do comércio tradicional e da experiência pioneira de transformação da via em espaço exclusivo para pedestres.
Histórico
A ocupação desta área se deu na metade do século XIX, com o enriquecimento da cidade durante o ciclo do mate. Por volta de 1860, pessoas a cavalo, a pé ou com carros de bois eram os únicos transeuntes no caminho balizado por casas térreas, mal alinhadas, cobertas com telha canal e dotadas de quintais arborizados, nos quais a presença de roseiras e trepadeiras justificou a denominação de Rua das Flores — tal denominação apareceu pela primeira vez na década de 1850, em documentos oficiais.
Quando, em 1880, D. Pedro II visitou Curitiba, a rua, pavimentada e iluminada a gás, foi rebatizada como Rua da Imperatriz, nome substituído, após a Proclamação da República, por Rua XV de Novembro. Nessa época, o casario térreo já estava sendo substituído por sobrados de uso misto — comércio e residência —, e sua arquitetura pelo ecletismo de vocabulário neoclássico, com coberturas em telha francesa e alemã. Do final do século XIX até os anos 1930, consolidaram-se três funções básicas desse espaço: comércio, habitação e lazer, identificando-o como eixo central e cultural da cidade e uma de suas áreas de maior convivência social.
Em 1901, a Praça Osório recebeu suas primeiras obras paisagísticas pela Prefeitura, que decidiu arborizar a região. Foi apenas em 1913, no governo do prefeito Cândido de Abreu, que reformas estruturais foram realizadas em toda a praça, que recebeu até mesmo um relógio doado pela comunidade. Para além da Osório, porém, o processo de urbanização e reformas foi mais lento; foi na década de 1920 que a Rua XV de Novembro enfim foi pavimentada com paralelepípedos, atraindo comércios tradicionais, incluindo modistas, joalherias, alfaiates, cafés e restaurantes.
A Avenida Luiz Xavier é o nome dado à extremidade da Rua XV de Novembro, em que a largura da via é maior. Durante muito tempo, foi a “Cinelândia” de Curitiba, pela alta concentração dos três principais cinemas da cidade. Sua vocação de espaço de lazer começou em 1916, com a instalação do Palace Theatre, casa de diversões para os apreciadores de patinação. Em 1929, foi inaugurado o Cine Teatro Avenida; na década seguinte, o Cine Palácio; e, vinte anos depois, o Cine Ópera.
Destacam-se na avenida dois edifícios: o Palácio Avenida e o Moreira Garcez, que foram os primeiros edifícios de apartamentos e escritórios da cidade. O Palácio Avenida, iniciado em 1927 e concluído dois anos depois, abrigava inicialmente comércio no térreo e apartamentos nos andares superiores. Em 1990, foi demolido internamente, mantendo-se sua fachada original por força do tombamento. Em seguida, foi construída uma nova estrutura de concreto armado e restaurada a fachada, passando então a sediar o Banco Bamerindus, patrocinador da obra.
O Edifício Moreira Garcez, de oito pavimentos, iniciado em 1924 e concluído treze anos depois, foi a primeira construção de concreto armado da cidade. Restaurado em 1994, funcionou como loja de departamentos e hoje abriga uma faculdade.
O trecho da Rua XV começa na avenida e termina na Praça Santos Andrade. Corresponde às quadras mais antigas, onde se veem ainda sequências de exemplares assobradados da arquitetura eclética do final do século XIX ao início do século XX, interrompidos por alguns prédios modernos. Sobreviveram vários sobrados de vocabulário neoclássico, com suas platibandas ornadas com jarros e estatuetas, vãos de arco pleno, bandeiras envidraçadas de desenho raiado, ressaltos de massa em forma de guirlandas, pilastras filetadas e capitéis jônicos e coríntios.
Pela maior riqueza e originalidade, destacam-se duas casas: a de esquina da Rua Monsenhor Celso e a Casa Louvre. A primeira, onde funciona atualmente uma agência bancária, tem três andares, é revestida em azulejos de cor amarela, bisotados, e possui portas e janelas de arco ogival guarnecidas por grades de ferro. Essa casa, de acabamento esmerado, teve seu interior reciclado de forma cuidadosa, na década de 1970, segundo projeto de orientação do arquiteto Luiz Augusto Amora. A Casa Louvre é outra edificação significativa, pelo esmero de seus detalhes, em que a influência do Art Nouveau é evidenciada nos vitrais externos e internos.
A interdição ao tráfego de veículos em 1972, pelo então prefeito Jaime Lerner, modificou o panorama da via pública pela substituição do asfalto pelo mosaico e pela introdução de mobiliário urbano construído em ferro, com cobertura em acrílico translúcido. A transformação dessa rua, a principal via comercial da cidade, para uso exclusivo de pedestres, foi experiência pioneira no Brasil, seguida por diversas cidades brasileiras.
As duas praças que balizam o trecho tombado são muito diversas. A Praça Osório, na extremidade da Avenida Luiz Xavier, é expressiva pelo agenciamento dos equipamentos recreativos em um espaço desenhado no século XIX e pela presença de arborização de grande porte. O desenho básico da praça obedece ao clássico esquema radial, tendo como elemento central um chafariz em ferro de origem francesa. Alamedas com bancos sombreados por eucaliptos, plátanos e pinheiros cruzam a praça. A necessidade de atendimento à população infantil residente no centro levou a Prefeitura a introduzir um playground nesse espaço na década de 1970. Na arquitetura ao redor, predominam edifícios de escritório sem maior valor estético.
A Praça Santos Andrade, na outra extremidade do trecho tombado, tem como elemento principal o prédio da Universidade Federal do Paraná, construção de desenho neoclássico de porte monumental, ao gosto dos prédios públicos da primeira metade do século XX. Ao centro, destaca-se pórtico com colunas de ordem coríntia, coroadas por frontão triangular. A vegetação da praça é de pequeno porte, arbustiva, com exceção de alguns pinheiros. Na outra extremidade ergue-se o Teatro Guaíra, principal casa de espetáculos da cidade, com capacidade para 2.000 pessoas, projetado na década de 1950 pelo engenheiro Rubens Meister e construído no final dos anos 1970. Os dois outros lados da praça são ocupados por edificações de comércio e residência sem maior significado.


































































































































