07-III: Residência e Bosque na Avenida Batel - Casa Gomm - Curitiba
- Inscrição: 07-III no Livro do Tombo das Belas Artes
- Processo: 04/88
- Data da Inscrição: 14 de abril de 1989
- Localização: Avenida do Batel, n.º 1829; Município de Curitiba
- Proprietário: Governo do Estado do Paraná
- Outras denominações: Casa Gomm
Mapa de Entorno:
A Casa Gomm é uma das maiores edificações em madeira já construídas em Curitiba e constitui importante referência da paisagem histórica do bairro Batel. Construída em 1913 para moradia da família Gomm, de origem inglesa, a residência foi implantada em amplo terreno arborizado, juntamente com o bosque que compõe seu entorno. Tombada pelo Estado do Paraná em 14 de abril de 1989, a Casa Gomm preserva valores arquitetônicos, paisagísticos, históricos e culturais associados à presença inglesa em Curitiba, à economia ervateira e à formação urbana da região do Batel.
Histórico
A Casa Gomm abrigou por mais de 50 anos a família Gomm. A residência foi construída em 1913 para moradia do inglês Harry Herbert Gomm (1867–1929) e de sua esposa, Isabel Withers Gomm (1884–1977), também de família inglesa. Harry dedicou-se ao comércio da erva-mate, lembrando que a economia ervateira foi uma das principais fontes de riqueza no Paraná durante o século XIX e início do século XX. A inspiração para a nova residência veio de uma viagem realizada por Harry à Nova Inglaterra, nos Estados Unidos.
Em Curitiba, Harry Gomm adquiriu um terreno de aproximadamente 20.000 m² no bairro Batel, onde foi construída a residência em madeira de pinheiro araucária. A casa, de grandes dimensões, destacava-se pela implantação em meio a jardins e bosque, compondo uma paisagem residencial característica das antigas chácaras e propriedades arborizadas da região.
Harry e Isabel tiveram seis filhos: Harry Blass Gomm (1908–1976), Cosme, Winston (1922–1984), Patrícia, Consuelo e Percival. Cosme Gomm morreu em combate durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, quando atuava na Royal Air Force – RAF.
Após o falecimento de Harry, em 1929, a casa permaneceu ligada à família. Harry Blass Gomm passou a residir no imóvel com sua esposa, Luísa Bueno Gomm (1911–1987). Luísa Bueno foi uma personagem de destaque na sociedade curitibana: poliglota, fluente em seis idiomas, foi a primeira mulher a obter brevê de piloto no Paraná, uma das fundadoras da União Brasileira de Aviação Civil e também se destacou no golfe.
Harry Blass e Luísa tiveram cinco filhos: George Bueno Gomm, primogênito nascido na casa (1932–2017); Irene, nascida em Montevidéu; Cosme Gomm; e os gêmeos Henrique Gomm e Blas Gomm, nascidos em Curitiba. Essa foi considerada a terceira e última geração da família a residir na Casa Gomm.
Durante a permanência da família, a casa tornou-se ponto de encontro de estrangeiros, intelectuais, industriais e representantes da vida social curitibana. Esse contexto se intensificou nas décadas de 1930 e 1940, quando Harry Blass Gomm exerceu a função de cônsul inglês no Paraná. Por essa razão, a residência também esteve associada à presença diplomática e cultural britânica em Curitiba.
A partir de 1959, em razão da mudança da família para o bairro Jardim Los Angeles, a casa passou por períodos de locação. Posteriormente, a grande propriedade, que incluía a Casa e o Bosque Gomm, foi vendida ao empresário Salomão Soifer para a construção de um empreendimento comercial, atual Shopping Pátio Batel.
A execução desse empreendimento exigiu a relocação da Casa Gomm dentro do mesmo terreno. Para isso, foi realizado um projeto arquitetônico minucioso, que envolveu o desmonte controlado de toda a edificação e sua posterior remontagem, respeitando a estrutura original. Cada peça da construção foi numerada, permitindo que a casa fosse reconstruída de acordo com suas características originais.
O bosque associado à residência também possui grande relevância ambiental, paisagística e cultural. A mobilização social em torno da preservação da área, especialmente a partir da década de 2010, reforçou a importância do conjunto como espaço de memória, convivência e proteção ambiental no bairro Batel. A área verde remanescente deu origem ao Parque Gomm, resultado de articulações entre poder público, comunidade e movimentos de preservação.
Em 2013, a Casa Gomm passou a abrigar a sede da Coordenação do Patrimônio Cultural (CPC), da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná a qual ficou no espaço até junho de 2026. Atualmente a Casa passa por uma restauração.
O tombamento estadual, realizado em 14 de abril de 1989, reconheceu a importância da residência e do bosque como patrimônio cultural paranaense, inscrito sob o n.º 07-III no Livro do Tombo das Belas Artes. Sua preservação valoriza a arquitetura em madeira, a memória da presença inglesa no Paraná, a história social do Batel e a permanência de uma área verde significativa na paisagem urbana de Curitiba.
























