21-I: Parque Estadual Papa João Paulo II – Curitiba
- Inscrição: 21-I no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico
- Processo: 012/90
- Data da Inscrição: 04 de setembro de 1990
- Localização: Centro Cívico; Rua Euclides Bandeira, n.º 1200; Município de Curitiba
- Proprietário: Governo do Estado do Paraná
- Outras denominações: Bosque do Papa; Memorial da Imigração Polonesa
Mapa de Entorno:
O Parque Estadual Papa João Paulo II, conhecido como Bosque do Papa, foi criado em homenagem à visita do papa polonês João Paulo II a Curitiba, em 1980, e constitui um importante memorial da imigração polonesa no Paraná. Localizado no Centro Cívico, às margens do rio Belém, o espaço abriga casas de troncos originalmente construídas por imigrantes poloneses no final do século XIX e remontadas no bosque para representar aspectos da vida, da religiosidade, da arquitetura e da cultura material dessas comunidades. O bem foi tombado pelo Estado do Paraná em 04 de setembro de 1990, segundo a Lei Estadual n.º 1.211/1953.
Histórico
A imigração polonesa no Paraná teve início em 1871, com a fixação de 164 poloneses na Colônia Pilarzinho, situada a cerca de 3 km do centro de Curitiba. Essa corrente imigratória distinguiu-se por seu caráter eminentemente camponês e pelo forte apego às tradições culturais, religiosas, linguísticas, alimentares e arquitetônicas de origem. Na agricultura, os imigrantes adaptaram-se às condições locais, cultivando produtos como milho, batata, feijão, centeio e “tartaca”, associados à culinária tradicional, especialmente à broa preta.
A preservação de tradições também se expressou nas formas de morar e construir. O programa arquitetônico das unidades familiares rurais polonesas costumava abranger a moradia, o paiol e os galpões destinados aos animais e aos implementos agrícolas. Embora houvesse variações conforme as regiões de origem dos imigrantes, a técnica construtiva com troncos de madeira tornou-se uma das principais referências da arquitetura rural polonesa no Paraná.
O sistema utilizado nas moradias, galpões e paióis consistia em paredes feitas com troncos de pinheiro, falquejados em quatro faces, dispostos horizontalmente e encaixados nas extremidades. As coberturas, em duas águas e com a cumeeira paralela à fachada principal, possuíam originalmente telhado feito com “tabuinhas”, pequenas telhas de madeira. Com a implantação de olarias, essas coberturas foram progressivamente substituídas por telhas alemãs ou francesas, como ocorre em construções instaladas no Parque João Paulo II.
O parque foi implantado após a visita do papa João Paulo II a Curitiba, realizada nos dias 5 e 6 de julho de 1980. A criação do espaço associou a homenagem ao pontífice, de origem polonesa, à valorização da memória dos imigrantes poloneses e de seus descendentes no Paraná. Desse modo, o Bosque do Papa passou a reunir dimensões religiosas, étnicas, culturais, paisagísticas e educativas, tornando-se um dos principais lugares de referência da presença polonesa em Curitiba.
O Parque Estadual Papa João Paulo II está situado às margens do rio Belém e possui área aproximada de 4,5 hectares. Além de sua função memorial, integra o conjunto de áreas verdes urbanas de Curitiba. Pesquisa sobre a localização de áreas verdes na cidade identifica o Bosque do Papa, antiga chácara Garmatter, como uma área de importância espacial e histórica, relacionada às transformações urbanas, à presença de remanescentes florestais e às políticas públicas de implantação de parques e bosques em Curitiba.
O conjunto mais conhecido do parque é formado por sete casas típicas polonesas, construídas originalmente por volta de 1878 e remontadas no bosque em forma de pequena aldeia. Essas edificações, feitas com troncos de pinheiro encaixados, abrigam espaços expositivos, capela, loja de artesanato e ambientes voltados à apresentação da cultura polonesa. Uma das casas abriga a capela dedicada a Nossa Senhora de Czestochowa, conhecida como Virgem Negra, devoção de grande importância para a religiosidade polonesa.
A iniciativa de transplantar essas casas para o parque foi uma forma de preservar exemplares arquitetônicos ameaçados de desaparecimento. Algumas foram doadas por seus proprietários, como a casa visitada pelo papa João Paulo II, doada pela família Pianowski, cuja viga central registra a data de 1883. Outras edificações foram adquiridas pela Prefeitura Municipal de Curitiba, passando a compor o Memorial da Imigração Polonesa.
No interior das casas, o memorial apresenta móveis, utensílios domésticos, ferramentas agrícolas, trajes típicos, objetos religiosos e peças de artesanato, como as pêssankas, ovos decorados associados às tradições eslavas e às celebrações pascais. Esses elementos permitem compreender aspectos da vida cotidiana, do trabalho rural, da religiosidade e da transmissão cultural entre gerações de imigrantes e descendentes.
Além de sua dimensão arquitetônica e etnográfica, o Memorial da Imigração Polonesa também pode ser compreendido como espaço de construção de memória pública. Estudos sobre o memorial destacam que lugares dessa natureza articulam preservação cultural, representação identitária e interesses políticos ligados à construção da imagem urbana. No caso de Curitiba, o Bosque do Papa tornou-se um espaço simbólico de valorização da imigração polonesa, ao mesmo tempo em que participa da narrativa mais ampla da cidade como capital multicultural e planejada.
O tombamento estadual, realizado em 04 de setembro de 1990, reconheceu o Parque Estadual Papa João Paulo II como patrimônio cultural do Paraná, inscrito sob o n.º 21-I no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Sua preservação valoriza a paisagem, a arquitetura em madeira, a memória da imigração polonesa, as práticas culturais associadas à religiosidade e ao cotidiano camponês, além da importância dos parques urbanos como espaços de educação patrimonial, lazer e reconhecimento da diversidade cultural paranaense.
CURITIBA. Prefeitura Municipal. Parque Estadual Papa João Paulo II.
GEISSLER, Helenne Jungblut. Análise de critérios para localização de áreas verdes urbanas de Curitiba-PR: estudo de caso: Bosque do Papa e Parque Barigüi. 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2004.
GUEDES, Sandra Paschoal Leite de Camargo; ISSBERNER, Gina Esther. O Memorial de Imigração Polonesa em Curitiba: dinâmicas culturais e interesses políticos no âmbito memoralista. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 25, n. 1, p. 427-455, 2017. DOI: 10.1590/1982-02672017v25n0115.
PARANÁ. Coordenação do Patrimônio Cultural. Parque Estadual Papa João Paulo II – Curitiba. Curitiba: CPC, 1990.
PARANÁ. Instituto Água e Terra. Parque Estadual João Paulo II (PEJP).






























































