146-II: Palacete Leão Júnior - Curitiba

  • Inscrição: 146-II no Livro do Tombo Histórico
  • Processo: 02/02
  • Data da Inscrição: 17 de dezembro de 2003
  • Localização: Avenida João Gualberto, n.º 570; Município de Curitiba
  • Proprietário: Particular – INEPAR – Administração e Participações S/A
  • Outras denominações: Palacete dos Leões; Solar Leão Júnior; Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões

O Palacete Leão Júnior, também conhecido como Palacete dos Leões, é um dos mais expressivos exemplares da arquitetura eclética de Curitiba. Construído no final do século XIX e concluído em 1902 para residência da família de Agostinho Ermelino de Leão Júnior e Maria Clara de Abreu Leão, o imóvel está diretamente relacionado à elite ervateira paranaense e ao ciclo econômico da erva-mate. Tombado pelo Estado do Paraná em 17 de dezembro de 2003, o palacete preserva referências arquitetônicas, urbanas e simbólicas da modernização de Curitiba na passagem do século XIX para o século XX.

 

Histórico

A economia da erva-mate teve grande importância para a formação histórica, econômica e social do Paraná, especialmente entre o século XIX e as primeiras décadas do século XX. O beneficiamento e a exportação do produto contribuíram para o enriquecimento de famílias ligadas ao comércio ervateiro, para a formação de uma elite urbana e para a transformação da paisagem de Curitiba. O historiador Ruy Wachowicz chegou a associar a Universidade Federal do Paraná à expressão “Universidade do Mate”, em referência à participação de setores ligados à economia ervateira em sua criação.

Essa elite enriquecida pelo comércio da erva-mate ficou conhecida, em diferentes registros da memória paranaense, como os “barões do mate”. Em Curitiba, tais famílias foram responsáveis pela construção de residências de grande porte e requinte, especialmente em áreas como o Batel e o Alto da Glória. Esses palacetes expressavam prestígio social, poder econômico e adesão a repertórios arquitetônicos europeizados, marcando a cidade com novas formas de morar e de representar a ascensão social.

Entre as famílias de maior destaque nesse contexto estava a família Leão, ligada à empresa Leão Júnior S.A., origem da marca Matte Leão. Agostinho Ermelino de Leão Júnior, empresário do setor ervateiro e filho do desembargador e político Agostinho Ermelino de Leão, destacou-se na sociedade paranaense da época. Casado com Maria Clara de Abreu Leão, irmã do engenheiro Cândido Ferreira de Abreu, encomendou ao cunhado o projeto de sua residência no Alto da Glória.

O Palacete Leão Júnior teve suas obras iniciadas no final do século XIX e foi concluído por volta de 1902, quando a família passou a residir no imóvel. A escolha da Avenida João Gualberto, então uma região nobre e em transformação, acompanhava o movimento de expansão urbana de Curitiba e a valorização de áreas afastadas do núcleo mais antigo da cidade, mas ainda próximas ao centro político e social da capital.

O imóvel está localizado em terreno de aproximadamente 10.000 m², na Avenida João Gualberto, área que abriga, além da edificação, um bosque de árvores centenárias. A implantação do palacete, cercado por jardim e afastado do alinhamento da via, reforça seu caráter residencial aristocrático e o diferencia das construções urbanas mais simples do período.

De estilo eclético, o edifício combina características neoclássicas, renascentistas, barrocas e elementos de inspiração art nouveau. A fachada apresenta composição marcada por pilastras e portas em arco pleno, incorporando ampla variedade de elementos ornamentais, entre eles capitéis de inspiração coríntia, balaústres, conchas, medalhões, jarros decorativos, cones espiralados e esculturas de leões.

Os leões são elementos especialmente marcantes na ornamentação do palacete e também se relacionam simbolicamente à identidade da família Leão e à própria marca associada à erva-mate. No jardim externo, as peças cerâmicas de ornamentação remetem a repertórios decorativos europeus e reforçam o caráter palaciano da residência.

No interior, a ornamentação mantém o mesmo refinamento observado na fachada. Destacam-se papéis de parede, tetos em estuque com relevos de flores, frutos e figuras angelicais, além de elementos decorativos que evidenciam o nível de sofisticação empregado na construção. O conjunto arquitetônico evoca caráter palaciano, combinando referências neoclássicas com traços de influência barroca e soluções próprias do ecletismo arquitetônico do início do século XX.

A edificação é formada por diferentes volumes e estruturas, como a escadaria principal, o terraço, o corpo original do prédio, o torreão e a escada lateral. Essa composição volumétrica contribui para a monumentalidade do conjunto e para a leitura do palacete como uma das residências mais representativas da elite ervateira curitibana.

Ao longo do século XX, o imóvel passou por mudanças de propriedade e uso. Em 1979, sua importância histórica, cultural e arquitetônica foi reconhecida pelo Município de Curitiba, que o instituiu como Unidade de Interesse de Preservação. Na década de 1980, o palacete passou por uma grande restauração, em momento posterior à sua aquisição pela IBM Brasil. Mais tarde, passou a sediar o Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões, inaugurado em 2005, com programação gratuita voltada às artes visuais, à arquitetura, à história e ao patrimônio cultural.

O tombamento estadual, realizado em 17 de dezembro de 2003, reconheceu o Palacete Leão Júnior como patrimônio cultural do Paraná, inscrito sob o n.º 146-II no Livro do Tombo Histórico. Sua preservação valoriza a memória do ciclo da erva-mate, a formação da elite urbana curitibana, a atuação de Cândido Ferreira de Abreu e a permanência de um dos mais importantes exemplares da arquitetura residencial eclética no Paraná.

  • 146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
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    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
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    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2024)
    Foto: Anderson Tozato (2024)
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (sem data)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (sem data)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    Inscrição de Tombamento 146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2003)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Inscrição de Tombamento 146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba (2003)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
    146-II: Palacete Leão Júnior – Curitiba
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