63-II: Museu do Tropeiro - Castro
- Inscrição: 63-II
- Processo: 64/77
- Data da Inscrição: 06 de março de 1978
- Localização: Praça Getúlio Vargas, nº 11, Centro; Município de Castro
- Proprietário: Prefeitura Municipal de Castro
O Museu do Tropeiro, localizado na Praça Getúlio Vargas, no Centro de Castro, ocupa uma das edificações mais antigas do município. Construída no século XVIII, a casa pertenceu à família Carneiro Lobo e constitui um raro exemplar da arquitetura luso-brasileira preservada na região dos Campos Gerais. Transformada em museu na década de 1970, passou a abrigar um acervo dedicado à memória do tropeirismo, atividade fundamental para a formação histórica, econômica e cultural de Castro e do Paraná. A edificação foi tombada pelo Estado do Paraná em 6 de março de 1978.
Histórico
O Museu do Tropeiro está instalado em uma casa do século XVIII, localizada na Praça Getúlio Vargas, n.º 11, no Centro de Castro. A edificação pertenceu à família Carneiro Lobo e é considerada um dos edifícios mais antigos do município, preservando características construtivas associadas à arquitetura luso-brasileira. Construída sobre base de pedra, com estrutura em madeira e paredes executadas em técnicas tradicionais, como taipa de pilão e taipa de mão, também conhecida como pau-a-pique, a casa conserva elementos representativos do casario colonial dos Campos Gerais.
Castro possui forte relação histórica com o tropeirismo. A cidade se formou às margens do rio Iapó, em área que se consolidou como ponto de pouso para tropas que seguiam do Rio Grande do Sul em direção à Feira de Sorocaba. Os tropeiros tiveram papel fundamental na integração econômica entre o Sul e o Sudeste do Brasil, transportando animais, mercadorias e informações, além de contribuírem para a formação de caminhos, povoados, práticas comerciais e modos de vida que marcaram a história regional.
A criação do Museu do Tropeiro resultou de uma iniciativa municipal voltada à preservação da história, da arte, da arquitetura e da memória local. A professora Judith Carneiro de Melo foi responsável pela organização do museu, escolhendo como sede uma edificação histórica que, em 1975, encontrava-se em ruínas e foi adquirida pela Prefeitura Municipal de Castro para abrigar o acervo dedicado ao ciclo das tropas. A restauração do imóvel foi conduzida com acompanhamento técnico do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, tendo o arquiteto Sérgio Todeschini Alves como responsável pelos trabalhos.
O acervo inicial foi formado de maneira comunitária, com a colaboração de famílias antigas de Castro, que doaram peças relacionadas à história do tropeirismo e da cidade. O conjunto reunia cerca de 400 objetos, incluindo utensílios ligados à vida dos tropeiros, documentos históricos, peças de arte sacra, objetos associados ao período da escravidão, mobiliário e itens de uso cotidiano. A seleção das peças contou com orientação de técnicos e conhecedores de museologia, entre eles Newton Carneiro e Alfredo Rusins, vinculados ao IPHAN.
Após a organização do acervo, o museu foi estruturado em diferentes seções, dedicadas ao tropeiro, a documentos e objetos históricos, à sala de aferições, à arte sacra, ao artesanato popular da região e a outros testemunhos da vida social e cultural castrense. Entre os elementos destacados, encontravam-se pesos e medidas doados por Dom Pedro II em 1880, integrados à sala de aferição. O museu foi inaugurado em 21 de janeiro de 1977 e, nos dois primeiros meses de funcionamento, recebeu cerca de quatro mil visitantes.
Do ponto de vista arquitetônico, a folha do Livro do Tombo descreve a edificação como uma casa do século XVIII, construída sobre base de pedra, com colunas de madeira que sustentam a estrutura da cobertura. As paredes foram executadas em sistema de pau-a-pique, com vãos preenchidos com barro, e a cobertura é composta por telhas de barro. A mesma documentação registra o bem como de natureza “arquitetura civil”, com inscrição voluntária, pertencente à Prefeitura Municipal de Castro.
O tombamento estadual foi realizado em 6 de março de 1978, por meio do Processo n.º 64/77, com inscrição sob o n.º 63-II no Livro do Tombo Histórico. O reconhecimento do Museu do Tropeiro como patrimônio cultural do Paraná valoriza tanto a edificação histórica que o abriga quanto sua função como espaço de preservação e difusão da memória do tropeirismo, fenômeno central para a formação de Castro, dos Campos Gerais e da história paranaense.






















