159-II: Manuscritos de Antonio Vieira dos Santos - Curitiba
- Inscrição: 159-II no Livro do Tombo Histórico
- Processo: 02/2006
- Data da Inscrição: 22 de julho de 2008
- Localização: Município de Curitiba
- Proprietário: Círculo de Estudos Bandeirantes
Os manuscritos de Antonio Vieira dos Santos constituem importante conjunto documental sobre a história do Paraná no período colonial e imperial. Elaborados na primeira metade do século XIX, os escritos registram aspectos políticos, sociais, administrativos, religiosos, culturais e territoriais de Paranaguá, Morretes, Porto de Cima e de outras localidades do litoral paranaense. Tombado pelo Estado do Paraná em 22 de julho de 2008, o conjunto preserva a memória de um dos primeiros autores dedicados ao registro histórico da formação paranaense.
Histórico
Antonio Vieira dos Santos finalizou, em 1850, a redação original de Memória Histórica da cidade de Paranaguá e do seu município. O manuscrito foi a primeira obra do autor reconhecida pela SEEC e pelo CPC durante a análise de sua produção intelectual, destacando-se pela enorme contribuição à historiografia e à preservação da memória paranaense.
Entre os manuscritos originais que foram tombados figuram: Memória historica, chronológica, topographica e descriptiva da Villa de Morretes e do Porto Real, vulgarmente Porto de Cima, Breve rezumo das memorias mais notaveis acontecidas desde o anno de 1797 ate 1827, Memorias dos sucessos mais notáveis acontecidos desde o anno de 1838 e Cifras de música para o saltério em que se mostrão marchas, lunduns, repiques de igrejas. Em conjunto, esses escritos constituem uma vasta fonte documental sobre a formação histórica do Paraná, registrando aspectos políticos, sociais, culturais e administrativos do território ainda antes da emancipação política da província em relação a São Paulo, ou mesmo antes da proclamação da independência brasileira.
Nascido na cidade do Porto, em Portugal, em 13 de dezembro de 1784, Antonio Vieira dos Santos veio para o Brasil ainda criança, estabelecendo-se inicialmente no Rio de Janeiro em 1797. No ano seguinte, mudou-se para Paranaguá, onde passou a atuar como auxiliar de comércio. Em 1812, aos 28 anos, assumiu o cargo de vereador da Câmara de Paranaguá, acumulando ao longo da vida diversas funções públicas e militares, entre elas a de alferes durante quatro anos, além de cargos ligados à Irmandade do Rosário. Já em Morretes, exerceu a função de Secretário Paroquial em 1821.
Para além de sua atuação política e administrativa, Vieira dos Santos destacou-se como um cronista atento da sociedade paranaense. Seus escritos abordam desde questões político-administrativas e movimentos separatistas até temas ligados à geografia, urbanismo, religiosidade e cotidiano social. Suas memórias permitem compreender, sob a perspectiva de um agente político atuante na região, as profundas transformações ocorridas entre o período colonial e a consolidação do Império no Paraná.
O tombamento dos manuscritos de Antonio Vieira dos Santos foi aprovado na 127.ª reunião do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico – CEPHA, realizada em 20 de agosto de 2007, e inscrito no Livro do Tombo Histórico em 22 de julho de 2008, sob o n.º 159-II.



