155-II: Joquei Clube do Paraná - Curitiba
- Inscrição: 155-II no Livro do Tombo Histórico
- Processo: 06/2000
- Data da Inscrição: 10 de março de 2005
- Localização: Avenida Vítor Ferreira do Amaral, n.º 2299, bairro Tarumã; Município de Curitiba
- Proprietário: Jóquei Clube do Paraná
- Outras denominações: Hipódromo do Tarumã
Mapa de Entorno:
A história do Jóquei Clube do Paraná teve início em 1873, com o antigo Club de Corridas Paranaense. Sua sede atual, o Hipódromo do Tarumã, inaugurado em 1955, constitui um dos mais importantes exemplares da arquitetura moderna paranaense, associado à história do turfe, do lazer e da sociabilidade urbana em Curitiba. Tombado pelo Estado do Paraná em 10 de março de 2005, o conjunto preserva referências arquitetônicas, esportivas e culturais vinculadas à trajetória do Jóquei Clube e à consolidação do bairro Tarumã na paisagem da capital.
Histórico
A história do Jockey Club do Paraná teve início em 2 de dezembro de 1873, com a eleição de sua primeira diretoria. A entidade, originalmente denominada Club de Corridas Paranaense, foi organizada por Luiz Jácome de Abreu e Souza, conhecido à época como “a alma do turfe”. O primeiro espaço utilizado pelo clube foi o Prado Jácome, inaugurado em 29 de janeiro de 1874, em área onde atualmente se encontra o Asilo Nossa Senhora da Luz, na Rua Marechal Floriano Peixoto.
O primeiro Grande Prêmio da história do turfe paranaense recebeu a denominação de Grande Prêmio “Dezenove de Dezembro”. A prova foi instituída pela Lei Provincial n.º 866, de 17 de fevereiro de 1886, e realizada em 6 de janeiro de 1887, com prêmio concedido pela Província.
No final do século XIX, diante da necessidade de melhores instalações, foram tomadas as primeiras iniciativas para a construção de um novo prado. O Hipódromo do Guabirotuba foi inaugurado em 25 de junho de 1899, na gestão do presidente Ernesto de Campos Lima, com a presença do governador Santos Andrade. O novo espaço substituiu o antigo Prado Jácome e marcou uma nova fase para as atividades turfísticas em Curitiba.
Além das corridas de cavalos, o Hipódromo do Guabirotuba também recebeu outras práticas esportivas no início do século XX. Ali ocorreram corridas de bicicletas e automóveis, além de partidas de futebol, contribuindo para a consolidação do local como importante espaço de esporte, lazer e sociabilidade urbana na capital paranaense.
O turfe local atravessou períodos de dificuldade, especialmente em razão das limitações da pista de terra batida e das condições climáticas. A partir de 1940, na gestão do presidente Aramys Athayde, a importação de animais argentinos e uruguaios, além da chegada de potros e potrancas da criação de Linneo de Paula Machado, contribuiu para elevar o nível técnico das corridas realizadas no Guabirotuba.
Nesse contexto, no início da década de 1940, foram instituídas algumas das provas mais importantes do calendário turfístico paranaense, como o Grande Prêmio Paraná e os Clássicos Primavera, Carlos Dietzsch e Manoel Ribas. O Grande Prêmio Paraná, prova máxima do turfe local, foi realizado pela primeira vez em 20 de dezembro de 1942, tendo como vencedor o cavalo Ochos, sob a direção de Pedro Gusso Filho e preparo de Henrique de Souza, defendendo as cores de Manoel Ribas.
Em 1948, muitos defendiam a remodelação do Hipódromo do Guabirotuba, enquanto outros consideravam que o terreno já não oferecia condições adequadas para ampliação e modernização. Assim, em setembro daquele ano, foram iniciadas as negociações para a compra de uma área no bairro Tarumã. Em 1949, ainda predominava a ideia de construir o novo hipódromo no próprio terreno do Guabirotuba, mas a transferência para o Tarumã acabou se consolidando como alternativa mais adequada.
Em 31 de agosto de 1950, o governador Moyses Lupion autorizou a aquisição da área necessária, reajustando o valor da avaliação das instalações e terrenos do Jockey Club do Paraná. Dessa forma, o terreno do Guabirotuba passou ao Estado, e a área do Tarumã passou ao Jockey Club. Em 30 de junho de 1951, Bento Munhoz da Rocha Neto compareceu ao terreno do Tarumã, já como governador do Estado, manifestando apoio à construção do novo hipódromo.
A diretoria do Jockey Club, em junho de 1952, organizou um gráfico do andamento das obras, cujo projeto era do engenheiro Edmir Silveira D’Avila. Naquele período, foram iniciados os trabalhos de terraplanagem e, em 13 de setembro de 1952, foi realizada a solenidade de início da construção da arquibancada social, com as presenças do governador Bento Munhoz da Rocha Neto e do presidente Pedro Alípio Alves de Camargo.
As obras do novo hipódromo integravam um conjunto arquitetônico de grande expressão, marcado pela monumentalidade, pelo uso da técnica do concreto armado e pelo desenho das estruturas. Destacam-se as três arquibancadas, interligadas por rampas e circulações cobertas até o salão de festas. Pela escala, solução construtiva e linguagem arquitetônica, o Hipódromo do Tarumã passou a ser reconhecido como uma das obras significativas da arquitetura moderna de Curitiba.
Em 21 de novembro de 1955, realizou-se a festa de despedida do Hipódromo do Guabirotuba, que durante 56 anos foi palco das reuniões promovidas pelo Jockey Club do Paraná. No dia seguinte, a pista do Tarumã foi aberta para trabalhos, marcando o início da mudança para o novo hipódromo.
A solenidade oficial de inauguração do Hipódromo do Tarumã ocorreu em 10 de dezembro de 1955, às 11 horas da manhã, com a presença de autoridades estaduais, municipais, dirigentes do clube e importantes figuras do turfe paranaense. Às 13h30 daquele dia, Mário de Araújo Marques ordenou a partida da primeira corrida realizada no novo hipódromo, o Grande Prêmio “Inaugural”. No dia seguinte, foi realizado o Grande Prêmio Paraná.
O pedido de tombamento do Jockey Club do Paraná foi analisado pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico – CEPHA na 110.ª reunião, realizada em 23 de maio de 2002. Na ocasião, o Conselho aprovou o tombamento integral do conjunto, considerando a importância histórica, arquitetônica, esportiva e urbanística do Hipódromo do Tarumã. A inscrição no Livro do Tombo Histórico ocorreu em 10 de março de 2005, sob o n.º 155-II.
O tombamento reconhece o Jockey Club do Paraná como referência da história do turfe no Estado, da sociabilidade curitibana e da arquitetura moderna paranaense. Sua preservação contempla não apenas a memória das corridas de cavalos, mas também a importância do conjunto edificado e de sua implantação urbana no bairro Tarumã.
















