26-I: Sítio Geológico - Icnofósseis Devonianos de São Luiz do Purunã - Balsa Nova
- Inscrição: 26-I no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico
- Processo: 07/2011
- Data da inscrição: 13 de junho de 2012
- Localização: BR-277/376, cerca de 500 metros antes da praça de pedágio, São Luiz do Purunã, Balsa Nova.
- Proprietário: DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
Os Icnofósseis Devonianos de São Luiz do Purunã, localizados no município de Balsa Nova, constituem um importante sítio geológico e paleontológico do Paraná. O local preserva, em um afloramento de arenito da Formação Furnas, rastros e marcas deixados por antigos invertebrados que viveram em ambiente marinho raso há aproximadamente 400 milhões de anos, no início do Período Devoniano. Tombado pelo Estado do Paraná em 13 de junho de 2012, o sítio possui grande valor científico, educativo e patrimonial, sendo reconhecido como referência para o estudo da história geológica do território paranaense.
Histórico
O Sítio Geológico dos Icnofósseis Devonianos de São Luiz do Purunã está localizado no município de Balsa Nova, na região de São Luiz do Purunã, às margens da BR-277/376, no trecho sentido Curitiba–Ponta Grossa, cerca de 500 metros antes da praça de pedágio. O afloramento situa-se no alto da Escarpa Devoniana, no Segundo Planalto Paranaense, e ocupa uma área aproximada de 1.800 m², correspondente a cerca de 60 por 30 metros.
O sítio é constituído por um afloramento da Formação Furnas, unidade geológica pertencente ao Grupo Paraná. Nas rochas areníticas encontram-se impressos vestígios de atividade biológica de antigos invertebrados, conhecidos como icnofósseis. Diferentemente dos fósseis corporais, os icnofósseis registram marcas produzidas pela atividade dos organismos, como deslocamento, repouso, escavação ou alimentação.
Esses vestígios foram produzidos há aproximadamente 400 milhões de anos, no início do Período Devoniano, quando a região correspondia a um ambiente marinho relativamente raso. No afloramento, observam-se numerosas ocorrências de sulcos na rocha, retos ou levemente curvos, com extensões que variam de decimétricas a métricas. Esses rastros são interpretados como resultado de atividades de locomoção e alimentação de organismos vermiformes, associados aos icnogêneros Paleophycus e Planolites.
Além desses registros, o sítio apresenta icnofósseis dos icnogêneros Rusophycus e Cruziana, associados à atividade de artrópodes trilobitas. As marcas de Rusophycus aparecem como pistas menores, de aproximadamente 2 a 4 cm de comprimento, com base bilobada e presença de cristas longitudinais. Já as marcas de Cruziana podem atingir extensões maiores, às vezes métricas, também com base bilobada e, em alguns casos, ornamentações. Esses vestígios contribuem para a interpretação da origem marinha das rochas da Formação Furnas.
Conhecido há décadas pela comunidade geocientífica, o sítio recebe visitas de universidades, paleontólogos, geólogos e estudantes, tanto pela facilidade de acesso quanto pela boa visualização dos registros fossilíferos. Sua localização próxima à rodovia torna o afloramento um espaço de grande potencial didático, permitindo a observação direta dos vestígios paleontológicos em seu contexto geológico original.
No momento da inscrição no Livro do Tombo, o afloramento apresentava bom estado geral de conservação, embora já fossem visíveis sinais localizados de impacto decorrentes de atividades de manutenção da rodovia, como marcas de pneus, escarificação do substrato e acúmulo de materiais, incluindo restos de asfalto e brita. Essas condições reforçaram a necessidade de proteção do sítio, especialmente por sua proximidade com a faixa rodoviária e por sua vulnerabilidade a intervenções no entorno.
O tombamento estadual foi aprovado na 143.ª reunião do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, realizada em 24 de outubro de 2011, e inscrito em 13 de junho de 2012 no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, sob o n.º 26-I. A proteção reconheceu os Icnofósseis Devonianos de São Luiz do Purunã como patrimônio cultural, científico e geológico do Paraná, valorizando sua importância para a compreensão da história natural do Estado e para as ações de pesquisa, educação e geoconservação.




























