58-II: Gimnasio Paranaense - Curitiba
- Inscrição: 58-II no Livro do Tombo Histórico
- Processo: 59/77
- Data da Inscrição: 20 de junho de 1977
- Localização: Rua Ébano Pereira, n.º 240; Município de Curitiba
- Proprietário: Governo do Estado do Paraná
- Outras denominações: Antigo Ginásio Paranaense; Antigo Gymnasio Paranaense; atual Secretaria de Estado da Cultura
O antigo Ginásio Paranaense, inaugurado em 1904, foi construído para abrigar uma das mais importantes instituições de ensino público secundário do Paraná. Localizado na Rua Ébano Pereira, em Curitiba, o edifício também sediou a Escola Normal e marcou um momento de modernização da educação paranaense no início do século XX. Tombado pelo Estado do Paraná em 20 de junho de 1977, o imóvel preserva características arquitetônicas monumentais associadas aos edifícios públicos do período e permanece como referência da história educacional, administrativa e cultural do Estado.
Histórico
Seguindo os processos de modernização e atualização da educação em nível federal no Brasil, discussões sobre instituições de ensino tornaram-se comuns no Paraná em fins do século XIX. Antes mesmo da emancipação política da Província do Paraná, em 31 de março de 1846, a Assembleia Provincial de São Paulo aprovou a criação do Liceu de Curitiba, com o intuito de desenvolver a instrução secundária pública na região. Em 1857, foi criada uma biblioteca anexa ao Liceu, mas que não perdurou por muito tempo, haja vista que, em 1874, o Liceu de Curitiba foi extinto.
Dois anos mais tarde, em 1876, foi criado o Instituto Paranaense, juntamente com a Escola Normal anexa, que perdurou por mais alguns anos. Durante esse processo inicial da educação secundária no Paraná, não houve sedes fixas para as instituições de ensino. Antes mesmo de ser extinto em 1874, o Liceu ocupou diversas sedes, assim como a Escola Normal. Posteriormente, o Instituto Paranaense também ocuparia diferentes sedes, públicas ou alugadas.
Com a Proclamação da República e o fim da monarquia brasileira, inúmeras reformas políticas foram iniciadas em todo o território nacional. No Paraná, entre essas reformas, a educação teve presença importante. Em nível nacional, seguindo as diretrizes da Reforma Benjamin Constant, o Colégio Pedro II tornou-se Ginásio Nacional, passando por ampla reformulação curricular. Nesse contexto, criou-se o Ginásio Paranaense, com currículo bastante similar àquele adotado pelo Ginásio Nacional. Em 1903, o governo estadual decidiu construir um edifício para abrigar não apenas o Ginásio, mas também a Escola Normal.
Coube o projeto ao engenheiro Afonso Teixeira de Freitas e a construção a José Bienek, tendo a obra sido concluída em agosto do ano seguinte. O grande desenvolvimento vivido pela cidade na primeira metade do século XX e as modificações do ensino motivaram a construção de novo edifício, para o qual foi transferida a instituição, que, desde 1953, passara a ser denominada Colégio Estadual do Paraná. Modificado para atender a uso administrativo, o antigo prédio tornou-se, em 1965, sede da Secretaria de Estado da Educação e Cultura, passando, nove anos depois, a abrigar a Diretoria de Assuntos Culturais.
O antigo Ginásio exemplifica o ecletismo de vocabulário neoclássico, perceptível na composição simétrica, na monumentalidade marcada pelo destaque do corpo central, nas colunas greco-romanas e na platibanda vazada no coroamento das fachadas.
O prédio é sublinhado pelo torreão central, destacado, em planta, ao avançar em relação ao conjunto, e, em elevação, ao sobrepor-se à massa do edifício. A composição dos vãos obedece a duas diretrizes: no térreo, são retangulares; no andar superior, arrematados em arco pleno. Colunas de capitel greco-romano ladeiam os vãos do andar superior.
Internamente, vale mencionar o espaço central de duplo pé-direito, coberto por claraboia, que cumpre o papel de área de circulação e distribuição, abrindo-se para ele as salas dispostas à sua volta. No andar superior, a circulação é feita por uma passarela sustentada por colunas de ferro, que se desenvolve em torno do vazio dessa área. Também são metálicos o guarda-corpo dessa circulação e a armação da claraboia. As paredes são de alvenaria de tijolo, possuindo as externas revestimento em bossagem, o que confere ao edifício uma austeridade peculiar aos edifícios públicos da época.
ZACHARIAS, Mariana Rocha. ESPAÇOS E PROCESSOS EDUCATIVOS DO GINÁSIO PARANAENSE. UFPR, 2013, Curitiba.


































