77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10 – Castro

  • Inscrição: 77-II no Livro do Tombo Histórico
  • Processo: 79/1981
  • Data da Inscrição: 04 de janeiro de 1982
  • Localização: Praça Getúlio Vargas, n.º 10, Centro; Município de Castro
  • Proprietário: Prefeitura Municipal de Castro
  • Outras nomeações: Casa da Praça ou Centro Cultural Prefeito José Pedro Novaes Rosa

A Casa situada à Praça Getúlio Vargas, n.º 10, também conhecida como Casa da Praça, é uma edificação da segunda metade do século XIX, tradicionalmente datada de 1870. Construída pelo Coronel Manoel Ignácio do Canto e Silva, importante fazendeiro e político da então Província do Paraná, constitui um raro exemplar da arquitetura urbana de transição entre o colonial e o neoclássico em Castro. Tombada pelo Estado do Paraná em 04 de janeiro de 1982, a casa foi posteriormente restaurada e reinserida na vida cultural do município como espaço dedicado à memória, à arte e à preservação do patrimônio local.

 

Histórico

A Casa situada à Praça Getúlio Vargas, n.º 10, em Castro, foi construída na segunda metade do século XIX, sendo tradicionalmente datada de 1870. O imóvel é atribuído ao Coronel Manoel Ignácio do Canto e Silva, fazendeiro, político de destaque na Província do Paraná e integrante da primeira Assembleia Legislativa Provincial do Paraná, instalada em 1854. Sua trajetória se relaciona à elite campeira dos Campos Gerais, formada por grandes proprietários rurais, militares, políticos e chefes locais que participaram da organização econômica, social e institucional da província.

A edificação constitui exemplo da arquitetura urbana de transição entre o colonial e o neoclássico, característica das transformações ocorridas na sociedade brasileira a partir de meados do século XIX. Essas mudanças repercutiram nos modos de construir e habitar, dando origem a casas urbanas térreas, com organização interna menos rígida do que nos períodos anteriores, nas quais os espaços sociais, familiares e eventualmente comerciais passaram a se articular de novas formas.

Do ponto de vista arquitetônico, a Casa da Praça conserva características associadas ao casario histórico de Castro. A fachada apresenta sequência regular de portas e janelas, com vãos guarnecidos por requadros de madeira, linhas retas e composição equilibrada. As folhas externas das janelas seguem o sistema de guilhotina, divididas em quadrículos, e os postigos internos remetem às soluções construtivas tradicionais. Também se destacam os cunhais de massa emoldurando a fachada frontal, os forros em madeira e a técnica construtiva da taipa de pilão, ainda visível em trechos preservados no interior da edificação. A taipa de pilão, técnica bastante presente em exemplares antigos de Castro, utiliza barro compactado em formas de madeira, permitindo a formação de paredes espessas e resistentes. No caso da Casa da Praça, parte dessa estrutura foi preservada e mantida visível após a restauração, protegida por vidro, possibilitando ao visitante compreender a técnica construtiva original e sua importância para a arquitetura histórica local.

Após pertencer à família do construtor, o imóvel foi vendido, em 1985, a uma empresa de engenharia interessada em edificar um prédio de doze pavimentos no terreno. Embora a licença para a construção tenha sido negada pelo Patrimônio Histórico, o edifício foi construído nas proximidades, provocando sérios danos à estabilidade da casa tombada. A situação deu origem a um processo judicial e, durante esse período, o imóvel foi abandonado pelo proprietário. Nessas circunstâncias, a casa passou por um processo de arruinamento. A pouca resistência das paredes de taipa às intempéries foi agravada pela retirada de telhas dos beirais e das cumeeiras, além de danos causados às esquadrias, portas e paredes internas. O processo de deterioração causou grande preocupação na comunidade castrense, que reconhecia na edificação um marco de sua paisagem urbana e de sua memória histórica.

Em 1998, já em estado avançado de degradação, a casa foi adquirida pela Prefeitura Municipal de Castro. A partir de então, foram concluídos levantamentos técnicos e elaborados projetos para sua restauração e adequação de uso. Entre as questões enfrentadas estavam a definição de uma nova função para o imóvel, sua reinserção na vida da cidade e a compatibilização entre o respeito à técnica construtiva original, especialmente a taipa de pilão, e a necessidade de realizar intervenções em tempo hábil para evitar perdas ainda maiores.

A restauração optou por recompor a imagem da casa na paisagem urbana, utilizando materiais diferenciados quando necessário, de modo a evitar a criação de falso histórico. Foram recompostos os volumes internos e externos, preservados vestígios da técnica construtiva original e reconstituída a presença da edificação no conjunto urbano da Praça Getúlio Vargas. O uso escolhido, em diálogo com o interesse da comunidade, foi o de espaço cultural.

Atualmente conhecida como Casa da Praça ou Centro Cultural Prefeito José Pedro Novaes Rosa, a edificação abriga exposições, atividades culturais e ações voltadas à valorização da memória local. A restauração não apenas recuperou uma construção histórica, mas também recompôs uma referência afetiva e urbana para a população de Castro. Nesse sentido, o bem representa a permanência de uma paisagem histórica, a importância das técnicas construtivas tradicionais e a capacidade do patrimônio cultural de ser reinserido na vida contemporânea da cidade.

O tombamento estadual, realizado em 04 de janeiro de 1982, reconheceu a importância da edificação como patrimônio cultural do Paraná, inscrita sob o n.º 77-II no Livro do Tombo Histórico. Sua preservação valoriza a arquitetura urbana dos Campos Gerais, a memória da elite política e rural do século XIX, os processos de mobilização em defesa do patrimônio e a continuidade do Centro Histórico de Castro como espaço vivo de cultura, memória e pertencimento.

  • 77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro (sem data)
    Foto: Macaxeira (SEEC) - Acervo Documental da CPC
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro (sem data)
    Foto: Macaxeira (SEEC) - Acervo Documental da CPC
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro (sem data)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro (sem data)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro
    Inscrição de Tombamento 77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro (1981)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    Inscrição de Tombamento 77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro (1981)
    Foto: Acervo Documental da CPC
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro
    77-II: Casa situada à Praça Getúlio Vargas, 10, em Castro