67-III: Casa do Cavalo Baio - Araucária
- Inscrição: 67-III no Livro do Tombo das Belas Artes
- Processo: 68/78
- Data da Inscrição: 26 de dezembro de 1978
- Localização: Avenida Dr. Victor do Amaral, 875 - Centro; Município de Araucária
- Proprietário: Particular - Maria Luiza Cintra Ferreira Charvet
A Casa do Cavalo Baio, localizada no centro de Araucária, é um dos raros exemplares arquitetônicos do século XIX preservados no município. Construída por volta de 1870, a edificação esteve associada à circulação de colonos, comerciantes, carroças e tropas, funcionando como ponto de referência na paisagem urbana local. Tombada pelo Estado do Paraná em 26 de dezembro de 1978, a casa preserva características construtivas tradicionais e ocupa lugar importante na memória coletiva de Araucária, tanto por sua arquitetura quanto pelas narrativas ligadas ao seu uso como armazém, hospedaria e referência cotidiana da cidade.
Histórico
A Casa do Cavalo Baio, situada na Avenida Dr. Victor do Amaral, n.º 875, no centro de Araucária, foi construída por volta de 1870 e constitui um dos raros exemplares arquitetônicos remanescentes do século XIX no município. Sua preservação está relacionada tanto ao valor material da edificação quanto ao papel que exerceu na paisagem urbana e na memória coletiva local.
A documentação de tombamento descreve o imóvel como uma construção em alvenaria de tijolos, com embasamento em alvenaria de pedra, implantada no alinhamento da via. A edificação possui um pavimento, sótão e porão, com cobertura em duas águas e telhas alemãs. O assoalho do primeiro piso é feito de tábuas largas, enquanto o sótão apresenta tabuado com mata-junta. Na fachada principal, as aberturas são emolduradas por requadros de massa, com vergas em arco de meio ponto e bandeiras fixas.
Segundo informações divulgadas em fontes locais recentes, a casa teria sido construída pela família Suckow, com participação do construtor inglês Walter Joslin, e utilizada como hospedaria e armazém de mercadorias transportadas por colonos e comerciantes que circulavam pela região em carroças. Essa função reforça sua importância como ponto de passagem, comércio e sociabilidade em uma Araucária ainda marcada por dinâmicas rurais e por uma malha urbana em formação.
Em 1944, o imóvel foi adquirido pela família Charvet, imigrantes franceses que se fixaram em Araucária e utilizaram o local para instalar uma indústria produtora de fios e tecidos de linho. A denominação popular “Casa do Cavalo Baio” teria surgido a partir de um cavalo da família, lembrado por sua pelagem baia --- ou seja, pelagem amarelada, dourada, castanha-clara ou marrom-avermelhada, normalmente com crina, cauda e extremidades mais escuras --- e por permanecer próximo à casa, tornando-se referência para quem circulava pela região. Com o tempo, o nome passou a identificar não apenas o imóvel, mas também um ponto de orientação na cidade.
A casa também ocupa lugar significativo na memória afetiva de Araucária. Em pesquisa desenvolvida na UFPR, a edificação aparece como espaço de narrativa, educação patrimonial e transmissão de memórias locais. Durante uma visita mediada com estudantes, a casa foi apresentada como referência da cidade, associada à história da família Charvet, ao antigo armazém, ao cavalo Rex e à luta pela preservação do imóvel diante de propostas de demolição para alargamento viário.
O tombamento estadual, realizado em 26 de dezembro de 1978, reconheceu a Casa do Cavalo Baio como patrimônio cultural do Paraná, inscrita sob o n.º 67-III no Livro do Tombo das Belas Artes. A proteção do imóvel valoriza sua importância arquitetônica, sua permanência como marco urbano e sua relação com a memória da formação histórica de Araucária.
Atualmente, a Casa do Cavalo Baio permanece como um dos principais símbolos culturais do município. Em 2025, foi anunciado o início de uma etapa de restauro aprovada pelo Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura, com previsão de ações educativas, visitas mediadas e uso futuro como espaço cultural, reforçando sua função pública como lugar de memória e educação patrimonial.
LEAL, Selma Soczecki. As artes performáticas de uma comunidade de contadores de histórias. 2021. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2021.
PARANÁ. Coordenação do Patrimônio Cultural. Casa do Cavalo Baio – Araucária. Curitiba: CPC, 1978.
KERSTEN, Márcia Scholz de Andrade. Os rituais do tombamento e a escrita da história: bens tombados no Paraná entre 1938–1990. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2000.
BERNARDO, Maurenn. Casa do Cavalo Baio vai passar por restauro e receber a comunidade em visitas guiadas. O Popular do Paraná, Araucária, 20 maio 2025.


































