IGREJA NOSSA SENHORA DO PILAR

IGREJA DO NOSSA SENHORA DO PILAR


Inscrição Tombo 122-II
Processo Número 01/95
Data da Inscrição: 08 de novembro de 1.999

Localização: Município: ANTONINA
Praça Coronel Macedo – Centro
Proprietário:
Particular - Mitra Diocesana de Paranaguá
Outras denominações

HISTÓRICO

Desde o início do século XVIII, a Vila de Antonina está intimamente ligada com a Capela de Nossa Senhora do Pilar. O culto a esta deve-se, segundo a tradição, pela devoção de três irmãs as quais celebravam terços e rezas à Nossa Senhora do Pilar, festejada todos os anos no dia 15 de agosto, reunindo mineiros, faiscadores e lavradores das regiões vizinhas ao sítio da Graciosa.

“O sargento tomou parte neste culto, alistando-se entre os devotos; e projectou, desde logo, erigir uma capela, onde fosse venerada, com maior decencia, a padroeira do bairro, concertando o templo. Eram 60 os moradores das vizinhanças, inclusive os dos cubatões dos Treis Morretes; e todos, de boa vontade, prometiam ajudar ao senhor do sitio da Graciosa em seu empenho.” (1)

Assim o empreendimento, pela edificação da Capela, como também os resultados que traria para uma futura vila, foi por Valle Porto.
“(...) a tenacidade do Sargento-mor (...) ia removendo todos os obstáculos e contribuições para perpetuar a sua meritoria obra na fundação de uma nova Freguesia.” (2)

Manoel Valle Porto obteve a provisão de licença para a construção da capela com o bispo do Rio de Janeiro, D. Francisco de São Jeronymo, a 12 de setembro de 1714. Com a Capela-mor pronta, inaugurada em 11 de junho de 1715, seriam necessárias outras providências como a criação do Curato. São feitas as solicitações pelo Sargento-mor e pelos moradores para o vigário de Paranaguá, Pe. Pedro da Silva Pereira, e também para o bispo que atende a solicitação do cura, e ao mesmo tempo, baixa a provisão que cria a Freguesia de Nossa Senhora do Pilar, em 2 de maio de 1719. (3)
A conclusão do corpo da matriz se deu com a celebração da benção da igreja a 14 de agosto de 1722. (4) Para efetivar a construção da Capela, foi utilizada mão-de-obra escrava, já que neste período, o Brasil caracterizava-se pelo sistema escravocrata, e especificamente, Valle Porto, era o responsável da construção, como também, era:
“(...) senhor de numerosa escravatura” (5)

Ainda é necessário ressaltar, de acordo com Ermelino de Leão, o fato de que o Sargento-mor doou parte de sua sesmaria ao patrimônio da Igreja. (6) Atualmente, o registro cartorário da propriedade está em posse da Mitra Diocesana de Paranaguá, constando uma área de 4.808,20 m2 e, devido a sua secularidade, o título de transmissão apresentou-se por usucapião.
O padre Francisco de Borja, que atuou no período de 1751 a 1760, ficou conhecido como um dos mais zelosos curas da Igreja. Este padre foi quem organizou a documentação da Matriz, resultando no que se conhece hoje por “Folhas Avulsas de Antigos Livros da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Antonina”. Ele também relatou sobre a Vila de Antonina, nesta época, e como estava a Igreja:
“Em 1748 a igreja somente tinha o altar-mor onde além de venerada imagem da padroeira, estavam as de Sant’Ana, São Benedicto e do Senhor Crucificado. Somente a capella-mór era forrada por cima de taboado o por baixo ladrilhada de tijolos.” (7)

O padre Borja ainda realizou todo o levantamento de utensílios pertencentes à Igreja, ornamentos das imagens e, pelas descrições, não havia torre, pois o sino encontrava-se na sacristia.
Já no século XX, no ano de 1923, a matriz é literalmente fechada devido ao seu estado de precariedade. As imagens dos santos e seus respectivos altares foram transferidos para a Matriz provisória: a Igreja de São Benedito. Com a nomeação do padre Bernardo Peirick para a paróquia (29/04/1926), a Igreja passou pela primeira grande reforma que se tem conhecimento. No jornal O Antoninense (15/08/73), foi publicado o relato do padre Peirick sobre a penúria da Igreja:
“Ao chegar, encontrei a Matriz fechada, completamente abandonada. O interior da mesma apresentava uma verdadeira ruína, sem assoalho e forro, privada de altares, montões de pedra, táboas e vigotes podres.
Uma parte da parede achava-se aberta, por onde entrava chuva. Na sacristia encontrava-se um armário com gavetas demolidas e um montão de tijolos, telhas e cal, cujo peso tinha afundado o soalho. O páteo da Matriz assemelhava-se um verdadeiro matagal, abrigo de muitas cobras venenosas.”

Ainda de acordo com este artigo, o construtor responsável pela reformas da Igreja foi Hermínio S. Commanduli, que executou o trabalho pela quantia de CR$ 17.500,00. A obra iniciou em agosto de 1926 e o seu término se deu em 26 de fevereiro de 1927, com muitas solenidades e com a transferência da imagem da padroeira para a Matriz restaurada.

A segunda grande reforma que se tem referência foi em 1952. Na placa comemorativa é agradecida a Alcides Estevão de Carvalho por sua “valiosa contribuição” (15/08/52). Nesta restauração, de acordo com fontes orais, as esquadrias de madeira foram substituídas por vitrôs, o telhado ficou mais alto, o piso passou a ser cerâmico, as paredes perderam seus afrescos, entre outras mudanças. A casa ao lado da Igreja, construída pela Congregação Redentorista, já é mais recente, da década de setenta. Teve por objetivo abrigar a Casa Paroquial e a Secretaria. Por outro lado acabou interferindo na paisagem do morro com a própria Igreja, composição esta que serviu de inspiração e beleza para muitas pinturas, fotografias e, mesmo até hoje, como cartão postal de Antonina.

(1) - LEÃO, Ermelino Agostinho de . Diccionario histórico e geografico do Paraná. 1929. v. 3. pg.1245.
(2) - Antonina: factos e homens. 1918. pg. 38
(3) - MATRIZ DE N.S. DO PILAR DE ANTONINA (Graciosa). Folhas avulsas de antigos livros da Matriz. pg.06. Em anexo.
(4) - MATRIZ DE N.S. DO PILAR DE ANTONINA (Graciosa). Folhas avulsas de antigos livros da Matriz. pg.06. Em anexo.
(5) - LEÃO, Ermelino Agostinho de . Diccionario historico e geografico do Paraná. 1929.v.3. pg.1245.
(6) - ARQUIDIOCESE de Curitiba. A Arquidiocese de Curitiba na sua história. 1956. pg.56.
(7) - LEÃO, Agostinho Ermelino de. Antonina: factos e homens.1918. pg.104.

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