PASSEIO PÚBLICO

 
PASSEIO PÚBLICO

Inscrição Tombo 22-I
Processo Número 02/96
Data da Inscrição: 08 de novembro de 1.999
Livro Tombo Arqueológico Etnográfico e Paisagístico
Localização: Município: CURITIBA
Centro - Rua Presidente Farias e Avenida João Gualberto
Proprietário:
Prefeitura Municipal de Curitiba


HISTÓRICO
Um dos grandes obstáculos a serem superados pelas cidades brasileiras no final do século XIX era a higiene pública. Com a emancipação política do Paraná que ocorreu no ano de l853, Curitiba, Capital da Província, começa a modificar o quadro de sua urbanização procurando modernizá-la.

Um dos aspectos que as autoridades públicas se preocupavam era com a questão dos rios, que estavam localizados no centro da cidade. O rio Ivo, por exemplo, mereceu uma atenção maior, realizando-se nele uma grande limpeza. Quanto ao rio Belém, por situar-se num local afastado, não recebeu as mesmas atenções. Localizado no Boulevard 2 de julho, atual Avenida João Gualberto, é descrito por alguns pesquisadores como um rio muito estreito e sinuoso, o qual alagava todas as suas margens. Além disso, a estagnação de suas águas, a acumulação de resíduos vegetais e o forte calor convertiam este rio num foco transmissor de várias doenças.

Com o passar dos anos o local tornou-se o objeto de interesse das autoridades locais. Gerou-se muita polêmica com relação ao encaminhamento que dariam a este problema. Enquanto uns sugeriam aterramento do local, outros acreditavam que esta medida não seria suficiente para que pudessem eliminar de uma vez por toda este foco infeccioso.

O discurso da administração pública defendia a necessidade de criar um parque público, que também serviria para o lazer dos cidadãos curitibanos. Diante de tanta discussão o Presidente da Província Sr. Alfredo D’Escragnolle Taunay, juntamente com o Comendador Francisco Face Fontana resolveram implantar um projeto criando um parque público naquela parte da cidade, onde se encontrava terrenos baldios e pantanosos.

Este método sempre foi utilizado durante quase todas as administrações municipais, em Curitiba. Os vários parques que hoje fazem parte da paisagem curitibana e que servem de referencial de lazer dos seus habitantes é o resultado de estudos que visam a contenção das águas em época de chuvas. Isso é devido a própria localização geográfica de Curitiba onde predominam vários rios e riachos que sem uma boa vazão sempre alagaram a cidade. Como forma de solucionar este problema foram criados esses espaços para: l.º) contenção da ocupação populacional descontrolada que provoca vários problemas como o uso dos rios como depósito de lixo e esgoto; 2º) controlar a vazão através de diques; 3º) fazer replantio de espécies da flora nativa nas margens dos rios.
 
Hoje contamos com vários parques que, assim como o Passeio Público, além de servirem de espaço de lazer, tornam a cidade mais humana por sua beleza natural e contribuem para uma melhor urbanização da cidade.

Localização.
Situava-se, na época, entre as seguintes divisas: ao Norte com Boulevard 2 de julho (atual Avenida João Gualberto), a Oeste a Rua Fontana (atual Rua Presidente Faria), ao Sul a Rua do Serrito (atual Rua Presidente Carlos Cavalcante) e a Leste, os terrenos do Coronel Joaquim José Bellarmino Bittencourt (atual sede do Círculo Militar) e de D. Laura Borges (atual Colégio Estadual do Paraná).

Propriedades adquiridas para construção do Passeio.
Os terrenos hoje ocupados pela Casa do Estudante, sito á rua Luiz Leão e o Colégio Estadual pertenciam à Dona Laura Borges, como consta no mapa original do Passeio Público, datado de l887, e a sua enteada Dona Benedita do Sagrado Coração de Maria. Parte dos mesmos foram desapropriados para aumentar a área do Passeio Público. Outra parte que correspondia a três quartos do total da área era de propriedade do município. O Largo do Bittencourt conhecido como engenho do Bittencourt, também foi desapropriado, sendo que algumas décadas depois, foi cedido para a instalação do Círculo Militar. A área total destas propriedades era de 95.000m dentre os quais 25.000m eram lagos e canais. Cabe ressaltar que sua área original era maior, e foi mutilada por doações do governo. Por isso, as propriedades adquiridas para a construção do Passeio Público pertenciam em sua maior parte ao município, outra parte desapropriada era da viúva Hauer.

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