PAISAGEM URBANA DA RUA XV DE NOVEMBRO

 
Paisagem Urbana do trecho da Praça Osório, Avenida Luís Xavier, Rua XV de Novembro e Praça Santos Andrade

Inscrição Tombo 05-I
Processo Número 45/74
Data da Inscrição: 11 de março de 1.974

Localização: Município: CURITIBA
Extensão compreendida da Praça Osório até a Praça Santos Andrade
Proprietário:
Particular - Diversos


HISTÓRICO
A ocupação desta área se deu na metade do século XIX, com o enriquecimento da cidade durante o ciclo do mate. Por volta de 1870, pessoas a cavalo, a pé ou com carros de bois eram os únicos transeuntes no caminho balizados por casas térreas, mal alinhadas, cobertas com telha canal e dotada de quintas arborizados, em que a presença de roseiras e trepadeiras justificou a denominação de Rua das Flores.

Quando, em 1880, D. Pedro visitou Curitiba, a rua pavimentada e iluminada a gás, foi rebatizada como Rua da Imperatriz, nome substituído após a proclamação da república para Rua XV de Novembro. Nessa época o casario térreo já estava sendo substituído por sobrados de uso misto – comércio e residência – e sua arquitetura pelo ecletismo de vocabulário neoclássico, com coberturas em telha francesa e alemã. Do final do século até os anos 30 consolidam-se três funções básicas desse espaço – comércio, habitação e lazer -, identificando-o com o eixo central e cultural da cidade e sua áreas de maior convivência social.
 
Avenida Luiz Xavier é o nome dado à extremidade da Rua XV de Novembro, em que a largura da via é maior. Durante muito tempo foi a "Cinelândia" de Curitiba, pela alta concentração dos três principais cinemas da cidade. Sua vocação de espaço de lazer começou em 1916 com a instalação do Palace Theatre, casa de diversões para os apreciadores de patinação. Em 1929 foi inaugurado o Cine Teatro Avenida; na década seguinte o Cine Palácio; e 20 anos depois, o Cine Ópera. Destacam-se na avenida dois edifícios: o Palácio Avenida e o Moreira Garcez, que foram os primeiros edifícios de apartamentos de escritórios da cidade. O Palácio Avenida, iniciado em 1927 e concluído dois anos depois, abrigava inicialmente comércio no térreo e apartamentos nos andares superiores.
Em 1990 foi demolido mantendo-se sua fachada original por força do tombamento, sendo construído após uma nova estrutura de concreto armado e restaurada a fronteira, sediando então o banco Bamerindus, patrocinador da obra.
O Edifício Moreira Garcez, de oito pavimentos, começando em 1924 e terminado 13 anos depois, foi a primeira construção de concreto armado da cidade. Restaurado em 1994, funcionou como loja de departamentos e hoje abriga uma faculdade.

O trecho da Rua XV que integra essa paisagem começa na avenida e termina na Praça Santos Andrade. Correspondem as quadras mais antigas, onde se vêem ainda sequências de exemplares assombrados da arquitetura eclética do final do século passado ao início deste, interrompidos por alguns prédios modernos. Sobreviveram vários sobrados de vocabulário neoclássico com suas paltibandas ornadas com jarros e estatuetas, vão de arco pleno, bandeiras envidraçadas de desenho raiado, ressaltos de massa em forma de guirlandas, pilastras filetadas, capitéis jônicos e coríntios. Pela maior riqueza e originalidade, destacam-se duas casas: a de esquina da Monsenhor Celso e a Casa Louvre. A primeira, onde funciona atualmente uma agência bancária, tem três andares, revestido em azulejos de cor amarela, bisotados e vazados com portas e janelas de arco ogival guarnecidos por grades de ferro. Essa casa, de acabamento esmerado, teve seu interior reciclado de forma cuidadosa, na década de 70, segundo projeto de orientação do arquiteto Luiz Augusto Amora. A casa Louvre é outra edificação significativa, pelo esmero de seus detalhes, em que a influência do Art Nouveau é evidenciada nos vitrais externos e internos.
A interdição ao tráfego de veículos em 1972 pelo então prefeito Jaime Larner modificou o panorama da via pública pela substituição do asfalto pelo mosaico e a introdução de mobiliário urbano construído em ferro com cobertura em acrílico translúcido. A transformação dessa rua, a principal via comercial da cidade, para uso exclusivo de pedestres, foi experiência pioneira no Brasil, seguida depois de diversas cidades brasileiras.
As duas praças que balizam o trecho tombado são muito diversas. A praça Osório, na extremidade da Avenida Luiz Xavier, é expressiva pelo agenciamento dos equipamentos recreativos em um espaço desenhado no século passado e pela presença de arborização de grande porte. O desenho básico da praça obedece ao clássico esquema radial tendo como elemento central um chafariz em ferro de origem francesa. Alamedas com bancos sombreados por eucaliptos, plátanos e pinheiros cruzam a praça. A necessidade de atendimento à população infantil residente no centro levou a prefeitura a introduzir um playground nesse espaço na década de 70. Na arquitetura ao redor predominam edifícios de escritório sem maior valor estético.
A praça Santos Andrade, na outra extremidade do trecho tombado, tem como elementos principais o prédio da Universidade Federal do Paraná, construção de desenho neoclássico de porte monumental, ao gosto dos prédios públicos da primeira metade do século. Ao centro destaca-se pórtico com colunas de ordem corintía coroadas por frontão triangular. A vegetação da praça é de pequeno porte, arbustiva, com exceção de alguns pinheiros. Na outra extremidade ergue-se o Teatro Guaíra, principal casa de espetáculos da cidade, com capacidade para 2.000 pessoas, projetada na década de 50 pelo engenheiro Rubens Meister e construída no final dos anos 70. Os dois outros lados da praça são ocupados por edificações de comércio e residência sem maior significado.

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