CAPELA SANTA BÁRBARA DO PITANGUI

 
 
 

Inscrição Tombo 135-II
Processo Número 07/98
Data da Inscrição: 10 de outubro de 2.000

 
Localização: Município: PONTA GROSSA
  Estrada Rural Ponta Grossa/Alagados - Alagados
Proprietário:  
  Particular - Nestor N. Carraro
 
   
 

HISTÓRICO

Com a proposição de converter os indígenas ao catolicismo, os jesuítas se tornaram, desde logo, responsáveis por um processo de colonização mais “racional” em confronto com a forma puramente predatória utilizada pelos colonos. Os primeiros missionários jesuítas vindos de São Vicente (SP), para o Estado do Paraná, que na ocasião não era Estado, pois estava dividido em duas partes: uma pertencente ao Estado de São Paulo e outra pertencente à colônia espanhola do Paraguai, encontraram como religião entre os índios das diversas tribos dos Guarani, Coroados, Carijós e Botocudos uma cultura original rudimentar que admitia a existência de uma divindade, permitia a poligamia, aceitavam a crença em uma vida imortal e adoravam a lua e o sol. 

Após se instalarem em várias regiões do Estado com suas “reduções” (locais onde as aldeias indígenas, embora reproduzindo as formas originais de organização social dos índios, eram minuciosamente administradas pelos jesuítas, gerando excedentes de produção agrícola, comercializados pela Companhia de Jesus junto à população branca). 

Em 1710, a Companhia de Jesus, com permissão do capitão-mor Pedro Taques de Moraes, construiu na Fazenda do Pitangui, um oratório em honra à Santa Bárbara. Com o falecimento de Pedro Taques de Almeida, 1713, seu filho José Góis de Moraes, com base em registros no Cartório Borges de Castro, em agosto de 1727, fez a doação da Sesmaria do Itaiacoca, também denominada Fazenda Pitangui. 

Em 1729 o Padre Nicolau Rodrigues França, da casa das Missões de Paranaguá, aí missionou conforme consta dos assentos da catedral de Curitiba. Logo após a instalação os padres, teriam substituído o oratório por uma capela construída por José Tavares de Serqueira, parente de José Góis de Moraes, dedicada à Santa Bárbara do Pitangui.
 
Paralelamente aos serviços religiosos dos jesuítas, estabeleceram uma fazenda de criação, a Fazenda Pitangui, e aí permaneceram até 1759, quando foram expulsos pelo Marquês de Pombal. Em agosto de 1727, fez-se doação da Sesmaria do Itaiacoca, também denominada de Pitangui, à Companhia de Jesus, sendo a capela construída em 1729. Os religiosos da Companhia de Jesus povoaram as Sesmarias de gado e escravos, movimentando suas fazendas. 

A estrada do “Continente Sul” que ligava São Paulo ao Rio Grande do Sul, de Jaguariaíva para o sul, vinha em direção ao rio Pitangui, passando pela Sesmaria dos padres da Companhia de Jesus, movimentando assim as zonas das Sesmarias. Os jesuítas do Pitangui, vendo o crescente movimento dos tropeiros e viajantes, apressaram-se na construção de uma capela e a dedicaram à Santa Barbara, para onde iam todos os moradores das fazendas vizinhas receber os Santos Sacramentos e ainda servir aos viandantes. 

Com a expulsão dos jesuítas, efetuada por ordem do Marques de pombal, de Portugal e das suas colônias, confiscando todos os seus bens e os anexando à Coroa Portuguesa, dentre estes à Capela de Santa Bárbara, cessaram assim todos os ofícios divinos que eventualmente eram realizados ali, e os escravos que ali viviam, foram alforriados e passaram a viver na ociosidade, de acordo com o que consta no arquivo Paroquial de Castro. 

A partir deste ano a capela e a Fazenda Pitangui passaram a ser geridas pelos carmelitas da Fazenda Capão Alto. Em 1772 estes se retiraram do Paraná temerosos que lhes acontecesse o mesmo que houve aos jesuítas. 

Enterravam-se os mortos no pequeno cemitério ao lado da Capela Santa Bárbara. A existência de um cemitério na Fazenda, explicaria a aparição de ossadas quando da restauração feita no local em meados da década de 1970, quando os mesmo foram encontrados sob o assoalho apodrecido, o que seria um cemitério das famílias que foram proprietárias da fazenda. No cemitério da capela, estão enterrados todos os primitivos povoadores de Ponta Grossa. 

A Capela de Santa Bárbara é uma edificação simples, com traços que dão nítida ideia da vida e religiosidade da época. De pau a pique e reboco, coberta com telhas trazidas de Paranaguá em lombo de burro, foi construída com o dinheiro doado por Ana Siqueira de Mendonça, viúva de Domingos Teixeira de Azevedo, do Cambijú, para pagar uma promessa à Santa Bárbara. 

Localizada à margem esquerdo do riacho São Miguel, afluente do rio Pitangui, a capela foi toda construída com material existente em maior quantidade na região – arenito furnas, assentada sobre um grande bloco do mesmo material. Suas paredes são bastantes espessas, tendo a frente voltada para o Sul e, seu atual proprietário, Nestor Carraro fez algumas obras para a sua conservação, entre elas, uma parede de madeira, tanto na frente como na parte traseira da capela, que haviam ruído completamente e também colocando um novo assoalho no lugar do primeiro que se encontrava em péssimo estado. 

Segundo o proprietário, estas obras foram efetuadas em 1973. Na obra feita, foram levantadas várias colunas de concreto para amparar as paredes que estavam caindo e também o teto foi completamente restaurado, bem como a fachada da capela. 

Para se entrar na capela, antes da obra , subiam-se alguns degraus de pedra já bastante gastas pelo uso. O interior era muito simples, paredes nuas, com uma única janela do lado esquerdo do altar. Desse lado havia um pequeno púlpito de madeira, com uma pequena escada. Sobre o altar encontrava-se a imagem em argila da Santa. Esta tinha sobre a fronte uma coroa de prata com algumas pedras coloridas. Existiam duas pias batismais de madeira, um turíbulo de bronze e um pequeno sino, pesando aproximadamente dez quilos. 

Havia apenas uma porta de entrada voltada para o sul. Sobre esta porta teria existido uma placa de madeira com inscrições a fogo, destruída pela ação do tempo, e que foi substituída em parte, por um papel datilografado com os seguintes dizeres copiados do original:
Em 1707 passou pelos Campos Gerais uma Missão Científica composta de Jesuítas, que como em todas as demais fazendas fundaram uma pequena Igreja.

Padres:

Antônio da Cruz, 1707
Tomás de Aquino, 1716
Vitor Antônio, 1717
Manoel Amaro, 1720
João Gomes, 1725
Antônio da Cruz, 1732
Estanislau Cardoso, 1735
Francisco Gomes, 1739
Manoel Rodrigues, 1740
Antônio da Cruz, 1741
Caetano Dias, 1743
Lourenço de Almeida, 1748
Manoel Martins, 1751
Cristóvão da Costa, 1752

“É conclusivo que da presente relação quase todos os reitores nos campos da Fazenda do Pitangui, aqui estiveram e celebraram Missa”. 

Com o passar dos anos e a sucessiva transferência da referida propriedade a obra foi sendo esquecida, chegando quase a ruína total. Embora muito se pretendesse sobre o aproveitamento do local como atração turística da cidade, pois esta relíquia dista 14 quilômetros do centro da cidade.

 
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