TEATRO SÃO JOÃO

 

TEATRO SÃO JOÃO

 

Inscrição Tombo 21-II
Processo Número 21/69
Data da Inscrição: 13 de março de 1.969

 
Localização: Município: LAPA
  Praça General Carneiro N.º 189
Proprietário:  
  Prefeitura Municipal da Lapa
 
Outras denominações  
 

HISTÓRICO

Por falta de competentes registros de uma imprensa permanente, antes da segunda metade do século XIX, quando, então, começaram a surgir notícias de espetáculos circenses, casas de espetáculos, sociedades literárias e de amadores, companhia de atores profissionais, repertórios encenados, não há nenhuma referência a respeito da existência de qualquer atividade cultural na Vila Nova do Príncipe de Santo Antônio da Lapa. 

Elevada à categoria de cidade, surgiram os primeiros movimentos no sentido de nela se promoverem atividades culturais e artísticas, que já existiam em outras províncias do Paraná: Paranaguá e Curitiba, por exemplo. Foi quando, por iniciativa de grupo de cidadãos locais – Emygdio Westphalen, Pedro Fortunato de Souza Magalhães e João Domingues Garcia, entre outros -, se fundou, em 29 de julho de 1873, a Associação Literária Lapeana, cujo objetivos eram os de organizar seleta biblioteca sobre vários assuntos e construir-se um teatro, para encenação de espetáculos. 

Três anos passados estava concluído o teatro São João, que foi visitado por D. Pedro II em 1880, o qual se conta, mais se impressionou com a biblioteca, que, à época já contava com mais de 1.500 obras seletas. Entretanto, a inauguração oficial do Teatro São João só ocorreu em 1887, com apresentação da Companhia Souza Bastos de Operatas. Segundo as crônicas, o espetáculo marcou época, mormente pela atuação da atriz espanhola Pela Ruiz. Consigna-se, a bem da verdade, que o espetáculo inaugural se deveu unicamente à iniciativa do engenheiro Francisco Therezio Porto, tido havido como autor do projeto do teatro e amante das artes cênicas. 

Não passaria uma década e o teatro seria convertido em enfermaria – como também outros imóveis – durante o cerco que a cidade sofreu, em consequência da Revolução Federalista. Nessa época, 1894, foi bastante avariado pelas balas dos canhões das tropas que assediavam a cidade. 

No início do século XX, reparado e reaberto, foi palco de espetáculos amadores, e transformado em cinema, na década de 30, quando abrigou a exposição agrícola (1939). Posteriormente serviu como local de leilões, para fins beneficentes. De 1950 a 1975 pertenceu à Rádio Legendária – emissora da paróquia local. Depois de muito esforço, conseguiu o então prefeito, Sérgio Leoni, que a Prefeitura retomasse a posse, iniciando então gestões junto ao Ministério da Educação para obtenção de recursos para a restauração do teatro. 

Degradado por intervenções danosas, foi, finalmente, restaurado, em sua integridade inicial, após ingentes trabalhos orientados pelos arquitetos Cyro Corrêa de Oliveira Lyra e José La Pastina Filho, e entregue ao público em 5 de novembro de 1976. A partir de então, passou a ser utilizando por companhias teatrais do Paraná e de outros estados, atendendo, em princípio, à programação do Teatro Guaíra, de Curitiba. Fora dos horários de espetáculos, o teatro está aberto à visitação, além de servir à comunidade local com cursos de teatro e de expressão corporal. 

Integrando o Centro Histórico da Lapa, e sendo edificação de expressão bastante significativa, como solução pioneira aplicada à organização de espaços cênicos, O Teatro São João utiliza linguagem consentânea aos fins visado certa correlação, pelo menos no que se refere à sua estrutura interna, em madeira, com as casas de espetáculo construídas em outras regiões do Brasil: Icó (Ceará), Santa Inês, em Lagoa Grande, o Minerva, em Areia (Paraíba), o Municipal de Ouro Preto e o de Sabará (Minas Gerais). 

Utiliza internamente estrutura de madeira, disposta em forma de ferradura. O arcabouço envolvendo essa estrutura é em alvenaria de tijolo. O vão formado pelo vazio da plateia tem guarda-corpo entalado com balaustras de madeira entre cada par de esteios e, no alto destes, tábuas finas, com recorte em forma de arco pleno. A plateia é coberta por um forro treliçado de madeira, reproduzindo o antigo teto, segundo prospecção realizada durante as obras. 

Cobertura em telhas cerâmicas do tipo capa e canal em quatro águas, apoiada em tesouras de madeira. De planta retangular, internamente apresenta dois pisos, com foyer, plateia circundada por camarotes, palco e sanitários laterais; o segundo, com vestíbulo, camarotes que circundam o vazio da plateia, sanitários e circulação lateral pelos fundos do palco. Fachada singela de composição neoclássica com cinco vãos em arco de meio ponto, sendo três portas ao centro e duas janelas de peitoril ladeando-se. Todos os vãos têm bandeiras de madeira e vidro. Coroa a edificação cimalha com ornatos e platibanda com frontão triangular, ao centro.

 
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